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Quando o dérbi fala à nossa memória

Jornal OPaís por Jornal OPaís
13 de Março, 2026
Em Opinião

O futebol é vivido com paixão em Angola, tal como em qual quer canto do planeta onde uma bola rola e um povo se reúne em torno das suas emoções. Aqui também temos as nossas histórias, os nossos heróis e, sobretudo, os nossos grandes clássicos. E quando se fala de clássicos no futebol angolano, inevitavelmente o pensamento viaja para o eterno confronto entre o Atlético Petróleos de Luanda e o Clube Desportivo 1.º de Agosto, o maior dérbi do nosso futebol.

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Recordo-me bem da minha meninice. Havia algo quase mágico no ar quando se anunciava um Petro contra o 1.º de Agosto ou vice-versa. Não era apenas um jogo de futebol, era um acontecimento nacional. Nos bairros, nas escolas, nos mercados e nas paragens de táxi, o assunto era sempre o mesmo. As cores, as rivalidades e as provocações saudáveis tomavam conta das conversas.

O coração batia mais forte, como se cada adepto levasse para o campo um pedaço da sua própria identidade. Na memória ficaram gravados nomes que marcaram uma era e que ajudaram a escrever páginas douradas deste duelo: Ndungui di Daniel, Lourenço Luvualu, Dongala, Ivo Traça, Abel Campos, Saavedra, Nejó, Lufemba e tantos outros craques que, com talento e coragem, deixaram as suas pegadas no relvado e no coração dos adeptos.

Eram jogadores que entravam em campo com a alma in teira, conscientes de que representavam paixões, famílias e bairros inteiros. Infelizmente, é inevitável reconhecer que hoje as novas gerações já não vivem com a mesma intensidade o maior dérbi do futebol angolano.

As razões são várias e complexas, e talvez não valha a pena esmiuçá-las agora. O que importa reconhecer é que, algures pelo caminho, parte daquela chama colectiva perdeu algum brilho.

O futebol continua vivo, mas a atmosfera que outrora envolvia este confronto parece já não ocupar o mesmo espaço no imaginário popular. Foi por isso que acolhi com enorme satisfação a iniciativa do meu companheiro de trincheira Honorato Silva, do Jornal dos Desportos, de dar visibilidade ao próximo duelo entre estes dois colossos do nosso futebol.

Iniciativas como esta ajudam a reacender memórias, a despertar emoções adormecidas e a lembrar aos mais novos que Angola também tem clássicos carregados de história, rivalidade e grandeza. Porque, sejamos honestos, algo curioso acontece no nosso quotidiano desportivo: muitas vezes falamos com entusiasmo quase automático dos clássicos e dérbis do futebol português, enquanto os nossos próprios confrontos históricos ficam em segundo plano.

Conhecemos de cor as rivalidades além-mar, discutimos os seus protagonistas e aguardamos os seus jogos com fervor mas, por vezes, esquecemos de celebrar com igual intensidade aquilo que é nosso. E a pergunta impõe-se com naturalidade: será que os média portugueses dão o mesmo espaço e valor aos nossos clássicos e dérbis? Certamente que não. E não o fazem porque, naturalmente, cada país valoriza antes de tudo aquilo que lhe pertence, aquilo que faz parte da sua identidade cultural e desportiva. É por isso que devemos assumir, sem complexos, uma responsabilidade colectiva: valorizar as nossas emoções locais. O grande dérbi entre Petro e 1.º de Agosto merece mais palco, mais histórias, mais memória e mais orgulho.

Para que isso aconteça, é necessário o envolvimento de todos, as direcções dos clubes, os dirigentes da Federação Angolana de Futebol, os responsáveis da AN CAF e, naturalmente, os adeptos. Porque no fundo a verdade é simples e incontornável: só nós próprios podemos valorizar verdadeiramente aquilo que é nosso. Os outros farão sempre o mesmo com o que lhes pertence.

O futebol angolano tem história, tem rivalidades e tem paixão suficiente para alimentar gerações. Basta apenas que não nos esqueçamos de olhar para dentro e reconhecer o valor das emoções que nascem nos nossos próprios estádios. E quando a bola voltar a rolar entre Petro e 1.º de Agosto, talvez seja a oportunidade perfeita para recordar que, antes de qualquer outro clássico no mundo, existe um que também fala directamente ao coração de Angola e dos angolanos.

Por: Luís Caetano

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