OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 23 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Quando a comunicação toma o lugar da governação

Jornal OPaís por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026
Em Opinião

Porque falar mais não significa decidir melhor — e o custo silencioso dessa confusão Há um risco discreto que se instalou no funcionamento das instituições contemporâneas: a substituição gradual da governação pela comunicação. Não por má-fé, mas por desvio de foco. Quando falar passa a ser mais urgente do que decidir, algo estrutural começa a falhar. Governa-se menos pelo impacto produzido e mais pela percepção gerada. Comunicar é indispensável. Tal como num sistema nervoso, é a comunicação que permite coordenação e resposta.

Poderão também interessar-lhe...

Até onde pode ir a Inteligência Artificial nos processos jurídicos?

“Fonte de vida” ganha proteção internacional

Relevância do reforço da parceria estratégica entre a República Popular da China e o continente africano

Mas quando o sistema nervoso começa a funcionar sem músculo nem esqueleto, o corpo move-se — sem força real. A mensagem circula, mas a transformação não acontece. Há sinal, mas não há potência. O problema surge quando a comunicação deixa de ser consequência do trabalho feito e passa a ser o próprio trabalho. Anuncia-se antes de estruturar, divulga-se antes de consolidar, reage-se antes de decidir.

É como pintar uma fachada enquanto as fundações ainda não foram revistas: a imagem melhora, mas a estrutura continua vulnerável. E quanto mais se investe na fachada, mais caro se torna corrigir o que foi ignorado por baixo. Esta lógica cria uma ilusão confortável de progresso. A sociedade vê actividade, acompanha discursos, consome narrativas.

Mas, tal como um painel de controlo cheio de luzes num avião sem plano de voo, há movimento e ruído — sem direcção clara. Os indicadores piscam, os comunicados sucedem-se, mas ninguém sabe exactamente para onde o sistema está a ir. Neste modelo, a comunicação deixa de servir a governação e passa a governá-la. As decisões são tomadas em função do impacto mediático, não da sua robustez estrutural.

Prioriza-se o que rende manchete em detrimento do que exige tempo, método e persistência. O curto prazo vence o necessário. Comunicação eficaz exige densidade. Caso contrário, transformase em eco.

E o eco, quando prolongado, amplifica o vazio em vez de o preencher. Instituições que comunicam muito, mas entregam pouco, acabam por gastar o seu capital de credibilidade antes de produzirem impacto real. A confiança pública, uma vez erodida, não se recompõe com mais comunicados. Governar é escolher, priorizar e sustentar decisões no tempo.

É aceitar que resultados duradouros não cabem em ciclos curtos de atenção pública. Tal como numa maratona, acelerar nos primeiros metros pode impressionar, mas raramente garante chegada sólida ao fim.

Governação é resistência estratégica, não apenas velocidade narrativa. Quando comunicar passa a ocupar o espaço da governação, o Estado parece presente — mas torna-se leve demais para carregar o futuro. A questão central não é se estamos a comunicar bem. É se estamos a construir, com consistência, aquilo que comunicamos.

Por: EDGAR LEANDRO

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Até onde pode ir a Inteligência Artificial nos processos jurídicos?

por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026

Enquanto algoritmos já influenciam decisões jurídicas noutras latitudes, Angola caminha para a digitalização da Justiça sem um debate sério sobre...

Ler maisDetails

“Fonte de vida” ganha proteção internacional

por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026

Proteger uma zona húmida é sempre um gesto tardio. A diferença, neste caso, é que Angola decidiu fazê-lo antes que...

Ler maisDetails

Relevância do reforço da parceria estratégica entre a República Popular da China e o continente africano

por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026

“Uma observação sintetizada na Cooperação win-win tendo em conta a visita estratégica do Ministro das Relações Exteriores da China em...

Ler maisDetails

O CAN que Marrocos queria vencer

por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026

O futebol nasce como uma festa, uma celebração colectiva onde a bola corre mais rápido do que as fronteiras, onde...

Ler maisDetails

Bento Kangamba diz que oposição não tem “trunfos” suficientes para travar MPLA em 2027

23 de Janeiro, 2026

ANPG assina acordo de cooperação com ARSEG

23 de Janeiro, 2026

Mais de 40 mil crianças abrangidas pelo Programa de Alimentação Escolar no Uíge

23 de Janeiro, 2026

Estado canaliza mais de 140 mil milhões de kwanzas para assegurar funcionamento dos tribunais superiores

23 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.