Apergunta tornou-se quase um slogan geracional. Mas talvez estejamos a fazer a pergunta errada. A maioria dos jovens não está totalmente pronta para o mercado de trabalho. E o mercado também não está estruturado para desenvolvê-los. Existe um desencontro silencioso entre formação académica e exigência profissional. E precisamos falar sobre isso com maturidade.
E isso não é uma crítica, é um diagnóstico. O maior erro: confundir diploma com prontidão A universidade ensina teoria. O mercado exige execução. Conheço jovens brilhantes que dominam conceitos jurídicos, financeiros ou estratégicos, mas travam ao redigir um e-mail profissional, apresentar uma ideia numa reunião ou gerir um conflito interno. Isso não é incapacidade.
É ausência de treino prático. Estamos a formar estudantes não profissionais.Saber conceitos não é o mesmo que saber resolver problemas reais sob pressão, comunicar com clareza, gerir conflitos ou tomar decisões com responsabilidade. Expectativas desalinhadas Há jovens que entram no mercado esperando crescimento rápido, liderança precoce, salários altos e reconhecimento imediato.
O mercado, por outro lado, testa consistência, resiliência ,humildade no início da jornada e capacidade de aprender com erros. O início não é glamoroso. É formador. E poucos ensinam que começar pequeno não diminui ninguém. Não basta “querer trabalhar”. É preciso saber no que se é bom, onde se agrega valor e que problemas se consegue resolver. Muitos ainda estão a descobrir isso.
O problema não é a juventude. É a ausência de orientação. Os jovens não são despreparados. São suborientados. Falta mentoria. Falta feedback estruturado. Falta exposição a desafios reais ainda durante a formação.
Em Angola, por exemplo, muitos estudantes terminam o curso sem nunca terem participado de um projeto prático relevante, estágio estruturado ou simulação profissional séria.
Depois o mercado cobra experiência de quem nunca teve oportunidade de exercitar. Há aqui uma incoerência sistémica.
O que realmente prepara um jovem?
• Experiência prática real
• Comunicação profissional
• Inteligência emocional
• Disciplina e responsabilidade
• Autoconhecimento estratégico
• Mentalidade de crescimento
O mercado não procura apenas currículos. Procura solucionadores de problemas. Uma reflexão necessária Se quisermos jovens mais preparados, precisamos de: Empresas dispostas a formar e não apenas exigir resultados imediatos. Instituições que integrem prática real nos currículos. Jovens que assumam protagonismo no próprio desenvolvimento.
Preparação não é um estado. É um processo contínuo. Talvez a pergunta não seja apenas se os jovens estão prontos. Talvez devêssemos perguntar: Estamos a criar um ecossistema que realmente os prepara?
Por: HULDA GANDO








