Terminou em apoteose a maior festa do basquetebol africano, Angola foi o palco, anfitriã e, mais uma vez, a grande protagonista. Quarta vez que acolhe o Afrobasket enquanto país independente e, como se tivesse sido escrito nas estrelas, esta edição aconteceu no ano em que se celebram os 50 anos da independência nacional.
Não podia haver melhor argumento para uma competição que teve emoção, superação e um final feliz Angola, campeã africana pela 12.ª vez. No início, o ambiente estava carregado de dúvidas.
As críticas à convocatória, à metodologia do técnico Pep Clarós, ao momento de forma de alguns atletas e à falta de entrosamento da equipa deixavam um certo pessimismo no ar. Mas o desporto é feito de momentos e Angola foi crescendo em cada um deles. Jogo após jogo, a selecção foi ganhando corpo, confiança e garra. A vitória contra Cabo Verde, apertada e sofrida, mostrou o nervo.
O triunfo sobre os Camarões, suado até ao último segundo, revelou o carácter da equipa. E na final, frente a um Mali atrevido e promissor, Angola foi impiedosa, passeou classe e “massacrou’’. Mostrou ao continente quem ainda manda no basquetebol africano. O Afrobasket foi um renascimento. Bruno Fernando, tantas vezes alvo de críticas, calou os cépticos com entrega e eficácia.
Childe Dundão, o pequeno gigante, foi o coração e o cérebro da equipa, MVP com todos os méritos. Selton Miguel, Gerson Lukeny, Milton Valente, Gakou, todos deram o melhor de si num colectivo que se uniu quando o momento exigia. Mas, como nem tudo foram triplos e aplausos, é preciso olhar também para as falhas fora da quadra, onde o Afrobasket deixou muito a desejar no capítulo organizativo.
Bilhetes escassos, falta de clareza na venda, problemas técnicos com cronómetros e outros lapsos que mancharam, ainda que levemente, o brilho de um evento tão importante.
Em pleno 2025, com tantas experiências acumuladas mundo afora, custa entender como é que não se recorreu a empresas especializadas, com provas dadas na gestão de grandes competições. O desporto é cada vez mais uma indústria de espectáculo, e nisso ainda estamos a aprender ou, pior, a insistir em não aprender. Apesar de tudo, os verdadeiros heróis fora do campo foram os adeptos.
De norte a sul, o povo angolano respondeu com paixão, ocupou os pavilhões, em Luanda e em Moçâmedes, empurrou a selecção nos momentos mais difíceis e de grandes incertezas.
O povo foi o combustível emocional que transformou incertezas em vitórias, a energia que vinha das bancadas era determinante. Uma vez mais, o desporto mostrou o seu poder de agregação, éramos um só povo, uma só nação.
A festa acabou, mas a memória fica, porque este título não é apenas mais um troféu, é a confirmação de que o ADN vencedor ainda corre nas veias do basquetebol angolano.
Que sirva também para renovar compromissos, com a organização, com a formação, com a valorização dos nossos talentos e com o respeito que a modalidade merece. Parabéns, Angola. Parabéns, campeões. Que o dodeca seja o recomeço da nossa hegemonia africana.
Por: Luís Caetano