Em qualquer esquina, aí onde se nota um aglomerado de jovens – e até mais velhos – é possível adivinhar-se os temas em abordagem, principalmente naqueles encontros em que estão indivíduos com alguma formação técnico-profissional.
É comum nos dias que passam ter à mesa assuntos como a taxa de câmbio, a imigração, produção interna, as estradas e as oportunidades de emprego no país.
Não pode ser diferente se se tiver em conta o acesso às divisas que muitos ainda sentem, a saída de jovens e quadros angolanos para o exterior, a reabilitação das vias e a empregabilidade, que, nos últimos tempos, terá atingido mais de 30 por cento dos angolanos.
Apesar de constarem da agenda de muitos, vão sendo também temas que, nos últimos dias, insistentemente, constam da agenda do Executivo angolano, a julgar até mesmo pelos pronunciamentos dos seus membros, alguns dos quais tiveram o privilégio de realçar nos órgãos de comunicação social. Num ápice, em menos de duas semanas, duas imponentes infra-estruturas foram inauguradas.
Uma pelo Presidente da República, João Gonçalves Lourenço, que se consubstancia no parque Huatong, na Barra do Dande, e outra a unidade de automóveis do grupo OPAIA, cuja placa foi descerrada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano. A primeira começou a produzir alumínio que, além de poder alimentar o mercado interno, irá também exportar para outras partes do mundo, incluindo mercados mais próximos constituídos por países limítrofes de Angola.
De igual modo, as viaturas do grupo OPAIA, que conta com parceiros de renome internacional, irão também servir não só o mercado angolano, como outros que poderão ter acesso às viaturas eléctricas, híbridas e outras por combustão.
Numa fase de alguma complexidade económica, em que os dados oficiais apontam para um recuo da inflação em relação aos meses anteriores, os dois investimentos reflectem numa aposta de largos milhões de dólares norte-americanos. Um sinal de que Angola, por mais que se diga o contrário, continua ainda a ser um mercado extremamente atractivo.
Só os dois projectos, de acordo com dados avançados pelos investidores, terão gerado mais de dois mil novos postos de trabalho. Um número considerável – e de fazer inveja – que se acredita ter tirado do desemprego muitos jovens e proporcionado melhores condições de vida para muitas famílias angolanas, embora não se descure que, pela natureza dos mesmos, ainda existam alguns expatriados.
À medida que vão surgindo estes postos de trabalho e a entrada no mercado de novos produtos, muitos jovens preferem se perder em discussões e posições, muitas das quais os afastam das suas reais pretensões, ou seja, conseguir um posto de trabalho e realizar os seus sonhos.
Distante dos tempos em que muitos viam Luanda como o centro de tudo, só estes dois projectos já demonstram que há uma tendência de se deslocalizar as fábricas da capital e criar-se as oportunidades noutras províncias e mais distantes das grandes cidades.
É lá onde começaram a aparecer empregos, possibilitando, talvez, um processo inverso ao êxodo que um dia se assistiu rumo à capital, Luanda.
É preciso que muitos se concentrem e partam à busca destas oportunidades, como as do Huambo, onde deverá partir a maior infraestrutura rodoviária do país, uma iniciativa que deverá empregar milhares de jovens, muitos dos quais preferem se mostrar como inimigos internos e não cidadãos atentos aos bons ventos que possam soprar em direcção deles-









