EMPEMA-ENSA BANCO BAI STANDARD-BANK MEDIANOVA-FNC SOCIJORNAL
Sáb, 4 Jul 2026
OPaís
Ouça Rádio+
  • Mundial 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPaís
  • Mundial 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPaís

Nem planos, nem balanço

Jornal Opais por Jornal Opais
6 de Dezembro, 2023
Em Opinião

O ano está no fim. Confesso que apanhou-me de surpresa. Sem me aperceber, passaram-se onze meses e, agora, restam apenas poucos dias para o fim de 2023.

Poderão também interessar-lhe...

A casa escura e os choros das sete mães – Vidas de Ninguém (XXVI)

No futebol também se ganha com inteligência

África já não pode celebrar apenas boas derrotas

Outrora, o final do ano era aguardado com ansiedade, contávamos os dias nos dedos, demorava a chegar, mas quando o fizesse, encontrava-nos prontos, com as casas enfeitadas, as ruas decoradas, os corações cheios de alegria e de esperança e o bloco de apontamentos na mão.

Era o tempo de balanços, de contarmos os deveres e os haveres, de pegar na nossa lista de planos feita no ano anterior e de ir riscando, com satisfação, todos os projectos que foram concretizados e traçar novos planos para o novo ano.

Mas isso era antes. Para 2023, o melhor é nem fazer balanços. Esse ano mais se pareceu a uma peça de teatro em que os actores não ensaiaram e tentaram fazer tudo de improviso. Correunos quase tudo mal.

Os azares sucederam-se, os preços subiram, o Kwanza perdeu valor, ficamos todos mais pobres, o emprego não apareceu, os engarrafamentos aumentaram, o transporte público ficou mais difícil.

Para piorar, Novembro e Abril trocaram os cintos, e a chuva “só mesmo de água” caiu em quase todo o país e durante quase todos os dias do mês, alagandonos os bairros, inundando-nos as casas e tornando intransitáveis até aquelas ruas e avenidas que eram consideradas as melhores da província.

Como maus actores, esquecemonos das nossas falas e das nossas acções. Ninguém sabe bem o que fazer para impedir essas inundações que, volta e meia, batem a nossa porta e já nem sequer sabemos o que dizer, ou como pedir e, por isso, vamos sofrendo calados, acalentados pela esperança de que cada chuva seja, finalmente, aquela chuva bendita de comida e de kupapatas como cantou o agora famoso Rap Gang.

As malambas aceleraram o desejo de muitos de emigrar.

Perdi a conta dos amigos de quem me despedi, daqueles de quem nem tive tempo de me despedir e dos tantos que estão na calha, em surdina, preparando-se para também partir.

Dizem todos padecer do mesmo mal: essa sensação de impotência diante de problemas que se amontoam e perpetuam e dessa sensação de desespero, dessa falta de fé, de esperança. Canso-me da quantidade de vezes que me perguntam se vou emigrar.

Emigrar exige planificar e eu já não planifico. Sofro de medo só de pensar na quantidade de planos e sonhos que vou adiando consecutivamente, ano após ano. Pareceme que há no cosmos algum tipo de força que zomba conosco.

Que cada vez que vamos crescendo, melhorando pelo menos um pouco, acreditando que chegou a nossa vez de estarmos no topo do mundo, surge uma crise que ninguém sabe de onde vem, nem até onde vai, sempre regada com escassez de divisas, com inflação altíssima, com um trânsito caótico, e com chuva.

Portanto, sei que se começar a planear até mesmo uma simples viagem, os passaportes vão ficar mais difíceis, os vistos ficarão impossíveis, os preços dos bilhetes de passagem vão disparar, até o dinheiro nos ATMs vai desaparecer. Está cada vez mais difícil planear e alcançar os objectivos.

Devem contar-se pelos dedos de uma mão as pessoas que conseguiram alcançar os objectivos traçados na virada do ano. Ficou tudo por fazer. A maior parte de nós cumpriu apenas o objectivo mínimo: manter-se vivo. Outros tantos, infelizmente, nem isso. Por isso, não faço balanços para este ano, nem traço planos para o próximo.

Deixo nas mãos do acaso o que tiver de vir. Espero que me surpreenda e, desta vez, para variar, espero que seja pela positiva.

Se alguma coisa tiver de acontecer, espero que sejam preços mais baixos, um pouco de mais de emprego, um trânsito mais fluído, e que as chuvas não nos estraguem as casas e os bairros.

É o que espero, mas não é um plano, e se nada disto se concretizar no ano que vem, se chegarmos ao final do ano com vida, já será motivo suficiente para celebração.

 

Por: SÉRGIO FERNANDES

Escritor

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

A casa escura e os choros das sete mães – Vidas de Ninguém (XXVI)

por Domingos Bento
3 de Julho, 2026

Os miúdos do bairro até jogavam à bola no campo de areia que fi cava à volta da casa. Mas...

Ler maisDetails

No futebol também se ganha com inteligência

por Jornal OPaís
3 de Julho, 2026

As eliminações, principalmente do Senegal, República Democrática do Congo e Costa do Marfim deixaram um sentimento difícil de ignorar. Não...

Ler maisDetails

África já não pode celebrar apenas boas derrotas

por Jornal OPaís
3 de Julho, 2026

Há derrotas que emocionam. Há derrotas que dignificam. Há der rotas que fazem o mundo olhar para África com respeito....

Ler maisDetails

Habitação e renda: por que o tecto custa cada vez mais?

por Jornal OPaís
3 de Julho, 2026

Em Luanda, no Lubango ou no Huambo, a procura por um tecto decente tornou-se, para muitos, uma corrida sem linha...

Ler maisDetails

Porto do Lobito movimenta mais de 800 mil toneladas diversas no primeiro semestre deste ano

4 de Julho, 2026

Basquetebol: Nigéria vence Guiné na capital angolana‎‎

3 de Julho, 2026

Assembleia Nacional apresenta Prémio de Estudos Parlamentares “26 de Novembro”

3 de Julho, 2026
DR

Idoso acusado de agressão sexual contínua de uma menor no Cuanza-Sul

3 de Julho, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Mundial 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.