Em muitas escolas, sobretudo do ensino primário, verifica-se a prática de promover alunos para a classe seguinte mesmo quando não do minam as competências básicas exigidas.
A ideia de que “na outra classe ele supera” tem servido, muitas vezes, como justificação para evitar retenções, conflitos com encarregados de educação ou exposição de fragilidades institucionais. No entanto, esta de cisão, quando não fundamentada pedagogicamente, pode ter efeitos devastadores no percurso escolar do aluno. Ao transitar sem bases sólidas, o aluno acumula lacunas que se tornam cada vez mais difíceis de colmatar.
O que não foi aprendido na fase inicial compromete aprendizagens posteriores, sobretudo em áreas estruturantes como a leitura, a escrita e o cálculo. O resultado é um ciclo de frustração, baixo rendimento e perda de autoestima académica.
Estes resultados promovem a normalização do fracasso escolar e, em muitos casos, conduzem ao abandono escolar. A escola deixa, assim, de cumprir plenamente a sua função formativa. É preocupante que alunos avancem de classe com dificuldades que deveriam ter sido resolvidas na base.
Não se trata de defender reprovações sis temáticas, mas de apostar numa intervenção precoce, com acompanhamento individual, estratégias diferenciadas e mecanismos de apoio que garantam condições reais de aprendizagem. A expressão “vai superar na outra classe” revela, muitas vezes, uma postura de desresponsabilização pedagógica.
Promover um aluno sem assegurar que aprendeu não é inclusão nem progresso; é apenas adiar um problema que poderá tornar-se mais grave no futuro, porque muitos dos alunos nessas condições não continuam com os mesmos professores, encontrando metodologias diferentes e estratégias de avaliação diferentes que, ao invés de os ajudar, agravam o problema.
Os professores deveriam ter mais atenção a esses aspectos, quando se quer transitar um aluno para uma outra classe. Não quero dizer com isto que os professores precisam de reprovar os alunos, mas desde muito cedo observar as suas dificuldades e criar mecanismos para que este aluno consiga estar condições de passar de classe
Por: LUDYJÚNIOR DIAS








