A recente nomeação da nova Ministra da Educação volta a colocar no centro do debate público a presença feminina nos mais altos cargos da governação em Angola. Para além da natural expectativa em torno dos desafios estruturais do sector educativo, o momento assume também um significado simbólico, o reforço da participação de mulheres na condução das políticas públicas.
O sector da Educação é estratégico. É nele que se estruturam as bases do desenvolvimento humano, da mobilidade social e da consolidação da cidadania. Quando uma mulher assume a liderança deste pelouro, não se trata apenas de uma substituição institucional.
Trata-se da reafirmação de um percurso colectivo de afirmação feminina no espaço público angolano. A trajectória das mulheres angolanas tem sido marcada por resiliência e afirmação progressiva. Da participação activa na luta de libertação nacional à presença crescente nos sectores empresarial, académico, jurídico e político, o percurso revela uma transformação social consistente.
Nos últimos anos, Angola tem registado um aumento significativo da presença feminina em cargos ministeriais, parlamentares e de direcção na administração pública. Essa evolução não ocorre por mera concessão simbólica, mas como resultado de qualificações académicas sólidas, experiência técnica acumulada e afirmação profissional sustentada.
A nomeação para o da Educação insere-se neste contexto, mulheres preparadas, com trajectórias consolidadas, chama- das a responder a desafios estruturais do país. A Constituição da República de Angola consagra, no seu artigo 23.º, o princípio da igualdade, determinando que todos são iguais perante a Constituição e a lei, não podendo ser discriminados em razão do sexo, entre outros factores.Ministério Este princípio não é meramente declarativo.
Ele impõe ao Estado o dever de promover políticas que garantam igualdade efectiva de oportunidades. A igualdade formal, aquela que está escrita na lei, precisa traduzir-se em igualdade material, aquela que se concretiza na prática social. A ascensão de mulheres a cargos de decisão é, portanto, uma expressão prática do comando constitucional.
Representa a concretização de um direito e não um privilégio. A presença feminina na liderança da Educação carrega também um simbolismo particular. Historicamente, as mulheres têm sido pilares da formação das novas gerações. Ao assumirem a gestão do sistema educativo, passam da influência doméstica e social para a condução institucional de políticas estruturantes. Contudo, os desafios permanecem.
Persistem desigualdades no acesso ao ensino em determinadas regiões, abandono es- colar precoce de raparigas por razões socioeconómicas e culturais, bem como limitações estruturais no próprio sistema educativo. Fortalecer a liderança feminina deve significar igualmente reforçar políticas que garantam a permanência das meninas na escola, a formação técnica e científica das jovens e a eliminação de barreiras invisíveis que limitam o seu crescimento profissional.
Entre o simbolismo e a responsabilidade, cada nomeação feminina para um cargo de elevada responsabilidade carrega duas dimensões, a simbólica e a institucional. Simboliza progresso social; institucionaliza competência e responsabilidade. A consolidação do princípio da igualdade exige mais do que representatividade numérica. Exige desempenho técnico, políticas públicas eficazes e resultados mensuráveis.
A igualdade sustenta-se quando a competência confirma a confiança depositada. A recente nomeação na Edu- cação é, assim, mais um marco na afirmação das mulheres angolanas na governação. Mas é também um lembrete de que a igualdade é um processo em construção permanente. Num país jovem, com desafios demográficos e sociais significativos, a valorização da mulher como decisora pública não é apenas uma questão de justiça constitucional. É uma estratégia de desenvolvimento. E nesse caminho, cada passo institucional dado em direcção à igualdade reforça a maturida- de democrática da sociedade angolana.
POR: YONA SOARES









