Volta e meia, questionei-me: “porque os alunos terminam o I ciclo e o ensino médio falando tão mal o português”?
* A quem residiria a culpa? Ao professor? Ao aluno? À escola? Ao ministério ou a outro?
* A resposta é clarividente, esta gafe recai alguns ou a todo um conjunto: (i) Ao PROFESSOR, se ele não é formado na especialidade de língua portuguesa, apenas foi adaptado pela escola com o escopo de ocupar a vaga, porém se este não dispõe de espírito investigativo ou compromisso sério com a disciplina em questão, um professor de português sem competência linguística e comunicativa é um atentado para a aprendizagem de qualidade dos alunos; (ii) Ao ALUNO: quando este não apresenta interesse de aprender, é desmotivado, faltoso e psicologicamente desinteressado pela academia em si, logo, com o seu desinteresse pela escola, é menos óbvio que se importe só com a disciplina de português. (iii) À ESCOLA: se a escola não tem um compromisso eficiente e envolvente com o ensino, apenas pelos recursos financeiros que se extraem desta, então, a escola se rá o principal óbice.
A instituição deve dispor de materiais que contribuem para o desenvolvimento comunicativo, linguístico e literário do aluno, desde bibliotecas, salas de leitura, mediatecas, incrementando: actividades intra e extra-curriculares que sedimentam o aperfeiçoamento linguístico deste, como feiras de livros, exposição de leitura, debates em as ta pública, etc.
Não se desenvolve a cultura académica, linguística e literária dos alunos fora do hábito da leitura; (iv) Ao MINISTÉRIO: esta instituição do estado é o principal impulsionador para a cultura literária dos alunos, devido às políticas educacionais e os programas que estabelece, onde as escolas seguirão os ângulos e os perímetros do ministério que os representa, infelizmente, o Ministério da Educação de Angola é pobre pelas suas políticas educacionais, suas metodologias são mais teóricas que pragmáticas, o investimento que o governo faz a ela é paupérrimo e/ou insuficiente; os métodos e as metodologias de ensino nas vá rias disciplinas, o português, par ticularmente, são muito deficientes: programas repetitivos, baixo cientificismo linguístico e literário, fraca metodologia de exploração gramatical, literária e textual.
As provas dos gabinetes provinciais da educação não visam a habilitar e desafiar o aluno para explorar a sua capacidade cognitiva, pelo contrário, tornam-no preguiçoso, limitado, cabulador e, concomitantemente, desinteressado pelo aprendizado.
Por: THADÉLCIO MATEUS
Professor de Língua Portuguesa e Oratória









