Era uma vez, em solo angolano, estádios com pinta de craques. Tinham relva a brilhar, refletores que iluminavam sonhos e claques que faziam tremer as bancadas. Eram os palcos de um CAN 2010 que fez o país se levantar da cadeira, aplaudir, gritar e sonhar.
Hoje, esses mesmos colossos estão em modo avião, desligados de tudo. A relva virou selva, os balneários lembram episódios de terror hídrico e as bancadas… bem, só quem sofre de nostalgia ainda se senta nelas.
O Chiazi em Cabinda, o Ombaka em Benguela e companhia limitada estão a perder o jogo contra o tempo e o abandono. A culpa? Não é de um mau treinador, mas de uma gestão que, por vezes, esquece que o estádio também precisa de manutenção. Não se vive só de memória e cimento. E não há VAR que reverta esse golo se continuarmos a adiar decisões.
A proposta do Ministério da Juventude e Desportos de passar a bola (leia-se: a gestão) à iniciativa privada é boa, mas está a aquecer no banco há tempo demais. E, como todo treinador sabe, substituição feita tarde pode custar o resultado.
O Estado, que outrora os erguera com milhões, agora reconhece que não consegue cuidar deles. E com razão. Estádio não se mantém só com boa vontade e discursos no Dia da Juventude. Precisa de gestão profissional, técnica e, convenhamos, dinheiro que não se encontra debaixo da bancada.
Os estádios precisam de um novo fôlego. Que venham investidores, ideias e até quem venda pipocas na entrada, desde que tragam vida de volta. Porque, sejamos sinceros: estádio parado é igual a camisola 10 no banco. Um desperdício. E estádio vazio não mete medo a ninguém. Nem ao adversário, nem ao tempo. E o tempo, meus amigos, não joga a nosso favor.
Por: Luís Caetano