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Entender o contexto linguístico ou ser um caçador de erros?

Jornal Opaispor Jornal Opais
14 de Abril, 2025
Em Opinião
Entender o contexto linguístico ou ser um caçador de erros?

Hoje em dia, há muitos caçadores de erros. Infelizmente, esses caçadores são tão arrogantes que, em todos os contextos de comunicação, levam um livro de regras enorme e transportam-no na mochila.

Se fossem até caçadores de animais, acredito que teríamos carnes suficientes e, aos domingos, os grelhados e copitos com vinho alegrariam o nosso dia.

Nós fomos criados para viver livre da opressão dos caçadores de erros. Eles são insuportáveis, tudo por nada dizem “estás errado; não se diz assim; fala correctamente; até você não sabe falar?; falas tão mal”; eles querem que sejamos rectos em todos os contextos de comunicação, em todos os momentos e circunstâncias.

Na verdade, eles são bons ouvintes e muito observadores, pois procuram oportunidades de corrigir segundo após segundo.

Entretanto, é mesmo necessário ser um caçador de erros? A resposta é, como é óbvio, não. Cada pessoa é um ser singular, cada um de nós merece falar li- vremente. Ninguém fala de for- ma errada.

Willian Labov che- gou de dizer que, no estudo da linguagem, devemos celebrar a diversidade e entender que não há um único “certo” ou “errado”. Os caçadores de erros esquecem-se de que certas palavras que as chamam de erradas, noutros contextos podem/poderão ser usadas e serem consideradas certas. No entanto, dizer categoricamente “essa palavra está errada” é errado.

Os linguistas, os profissionais da descrição, quando abordam essa temática, preferem usar os termos “adequados e inadequados”. Faz muito sentido ter essa noção porque uma palavra “inadequada” num contexto, pode/poderá ser “adequada” noutro.

Por exemplo, no contexto formal, indubitavelmente, não é adequado utilizar expressões informais. Por lado lado, ainda sobre o contexto formal, o director não pode ser chamado wy, wey, bro ou, talvez, papoite; os termos utilizados estão inadequados em função do contexto formal. Entretanto, quando usados em contextos informais, obviamente, serão considerados adequados.

Portanto, a língua é uma arte e as pessoas que as praticam são, razoavelmente, artistas. Em se tratando de comunicação, os artistas são criativos e, claro, deixam isso claro no dia-a-dia.

Se o momento não exigir rigidez/ rigor comunicativo, por favor, caçadores de erros, deixem-nos em paz, sejam mais linguistas, pois a comunidade deseja pessoas que entendem o que os outros dizem ou queiram dizer e não daqueles que vivem oprimindo o próximo com “certo e errado” segundo após segundo.

POR: LUTINA SANTOS

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