OPaís
Ouça Rádio+
Qua, 14 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Eles defenderam a Pátria

Jornal Opais por Jornal Opais
16 de Dezembro, 2024
Em Opinião

Como quem não quer nada, quando a nostalgia me consome, vou vasculhando o meu baú de recordações, coisa que faço quando percebo que já não sou mais o “petit” que foi salvo da primeira emboscada pelo comandante Ndozi. Éramos jovens e adolescentes quando tomamos contacto com a guerra para defesa da integridade nacional e fomos apanhados no olho do furacão.

Poderão também interessar-lhe...

A OMA como indicador social e moral da vitalidade do MPLA

Acesso livre à advocacia e exame final: Por que o estágio deve ser o verdadeiro critério?

Quem roubou o senso comum?

Vergado o regime colonialista de Lisboa, não nos apercebemos de que a força hegemónica na África Austral tinha a marca da discriminação e segregação racial: o regime do apartheid instalado em Pretória desde que era uma colónia britânica.

Fomos para a guerra, enterramos, em poucos casos, nossos camaradas, produzimos a Paz. Essa era a nossa missão enquanto militares, mas a vida não sorriu tanto assim para todos.

Excelente seria se todos os que atendemos à chamada da Pátria para a Resistência Popular Generalizada hoje estivéssemos a desfrutar, efectivamente, os frutos da Paz. Mas muitos tombaram na primeira esquina, outros nem tanto, ficaram nas recordações as suas façanhas.

Hoje, os resistentes e sobreviventes são atirados para o esquecimento e a indiferença. Um dos que chegaram ao Dia da Paz foi o actual comissário da polícia nacional na reforma, Nazaré Manuel Cardoso (Lalé). No baú das recordações, encontro fotos que são retratos da história. Em 1984, a guerra estava no auge, na Cahama. A aviação sul-africana semeava morte e destruição.

A via que ligava o Lubango a Ondjiva era conhecida como a “Estrada da Morte”. Até de noite os helicópteros dos racistas, armados com foguetes, atacavam as colunas militares.

A guerra mudou no dia em que chegaram ao teatro das operações defesas anti-aéreas sofisticadas. Os “karkamanos” experimentaram então o sabor amargo da derrota.

No início da Operação Savana, o comandante das tropas na Cahama era o capitão Farrusco. Face ao avanço das tropas invasoras, foi preciso recuar. Mas depois da vitória das FAPLA na Grande Batalha do Ebo, todo o Sul de Angola ficou libertado, em Março de 1976. As FAPLA enfrentaram milhares de homens, tanques, artilharias de longo alcance à aviação.

Mas as tropas invasoras nunca conseguiram passar as posições da Cahama. Os sul-africanos até atacaram com drones as posições das FAPLA. Na Cahama, não existia dia nem noite. Ninguém registava o dia da semana ou o mês. Os combatentes apenas sabiam que os aviões sulafricanos nunca saíam do ar e despejavam bombas que matavam.

A derrota dos sul-africanos deveuse não só ao heroísmo das FAPLA, mas também à chegada de material de guerra sofisticado. Sobretudo para a defesa anti-aérea. Entre 15 de Dezembro e 5 de Janeiro, as FAPLA eram fustigadas com ataques permanentes da aviação sul-africana. Os aviões estavam sempre por cima da Cahama. Um avião só partia quando chegava o outro.

Bombardeamentos de dia e de noite. Era o inferno. No auge da batalha, os sul-africanos desembarcaram tropas especiais. Os invasores foram atraídos para falsas posições, mas as FAPLA estavam na estrada para Xangongo.

Quem enfrentou as tropas blindadas foi o primeiro batalhão do segundo tenente Carlos Sachimo. Também enfrentou as forças especiais o terceiro batalhão do segundo tenente Kimbi.

Mais duas companhias de tanques comandadas pelos oficiais Silva e Vasco. Tudo mudou quando chegaram à Cahama armas modernas para a defesa anti-aérea. Eram canhões de 57 milímetros sincronizados. Mais o carro de combate Estrela Um, com foguetes.

A artilharia era comandada pelo primeiro tenente Dolizie. Tinha o canhão 130, o mais potente de todos. O segundo tenente Herbert tinha o canhão de 122 milímetros D-30. Os BM21 estavam com os oficiais À Vontade e Jackson. Chefe da artilharia da brigada, primeiro tenente Kiteculo. Hoje, toda a gente sabe o que é um drone. Mas, naquele tempo, ninguém falava nisso.

A guerra de agressão dos racistas sul-africanos a Angola serviu para experimentar novas técnicas de guerra. Uma delas foram os aviões não tripulados. Dada a potência da defesa anti-aérea, os aviões de guerra sul-africanos nunca mais apareceram na Cahama.

Eram enviados os drones. Na Cahama, os karkamanos provaram o sabor amargo da derrota. Abandonaram a região e foram para o Cuando Cubango. O povo voltou do Lubango para as suas terras.

As incursões da aviação da África do Sul no Cunene e Huíla acabaram, e também acabou a soberba de irem bombardear o Lubango quando lhes apetecia. Desde então, sobrevoavam a fronteira.

As FAPLA ainda foram reforçadas com o Quadrat, um sistema de mísseis anti-aéreo com radar próprio, autónomo na condução do tiro. Tinha grande capacidade de alcance, precisão e destruição.

Quando chegou essa arma, os sulafricanos registaram grandes baixas. Foram para o Cuando Cubango, mas lá sofreram a derrota final, no Triângulo do Tumpo.

Até à assinatura dos Acordos de Nova Iorque, os aviões sul-africanos nunca mais apareceram na Huíla e Cunene. Nem os drones. O percurso entre a Cahama e o Lubango passou a fazer-se sem problemas.

Acabou a supremacia dos karkamanos. Na segunda invasão dos racistas de Pretória, o comandante das tropas já era o capitão Nzumbi, o comissário político era o primeiro tenente Lalé, primeiro tenente Nando Mateus, chefe do estado maior, Carlos Bimbe, chefe das operações, David Makenguele, chefe técnico, primeiro tenente Kibela, chefe das comunicações, Nando Conho, comandante do segundo batalhão.

O comandante da região era o tenente-coronel Kianda. As FAPLA foram mesmo heróicas, e muitos dos seus heróis estão espalhados em todo o território nacional. Com o peso da idade e marcas da guerra, até são “insultados” pela geração pós 2002… Honra e glória aos heróis que não regressaram a casa!

 

Por: Alberto Kizua

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

A OMA como indicador social e moral da vitalidade do MPLA

por Jornal OPaís
14 de Janeiro, 2026

Para o MPLA, 2026 é um tempo de reencontro consigo próprio, de escuta activa, de reposicionamento estratégico e, sobretudo, de...

Ler maisDetails

Acesso livre à advocacia e exame final: Por que o estágio deve ser o verdadeiro critério?

por Jornal OPaís
14 de Janeiro, 2026

A recente declaração do Bastonário da Ordem dos Advogados de Angola, confirmando a adopção do modelo de acesso livre à...

Ler maisDetails

Quem roubou o senso comum?

por Jornal OPaís
14 de Janeiro, 2026

Dizem que o senso comum é o saber do povo, a bússola invisível que orienta o que é razoável, equilibrado...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Conduzir no período nocturno…

por Jornal OPaís
14 de Janeiro, 2026
VIRGILIO PINTO

Ilustre coordenador do jornal OPAÍS, saudações a todos os trabalhadores desta casa de imprensa. Na verdade, a condução à noite...

Ler maisDetails

Sadio Mané coloca Senegal na final do CAN 2025

14 de Janeiro, 2026

Hospital Josina Machel acolhe curso de tratamento de feridas para enfermeiros líderes

14 de Janeiro, 2026

Trabalhadores do Porto do Lobito destacam conquistas de 2025 e reforçam confiança na administração

14 de Janeiro, 2026

Porto do Lobito faz balanço positivo de 2025

14 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.