Dizia um amigo que existem muitas estórias e histórias em Angola. Como não poderia deixar de ser, cada um de nós tem a sua parte e, quando decidir narrá-la, certamente existirão aqueles que não se sentirão satisfeitos. Ainda assim, por mais que se discorde, há necessidade de se respeitar.
Não obstante a isso, embora cada um seja partícipe ou tenha testemunhado parte daquilo que o passado nos proporcionou, de bom ou mau, há aspectos indiscutíveis dos quais não nos podemos afastar. Goste-se ou não, o país foi construído de vários lados, com episódios sombrios, muitos dos quais gostaríamos de ter esquecido, mas o realismo não irá impedir sempre. Ao longo das cinco décadas de independência, há aspectos inegáveis.
É indiscutível, após o falhanço de Alvor, que foi o MPLA, por exemplo, através do Presidente António Agostinho Neto quem proclamou a Independência no dia 11 de Novembro. De igual modo, é indiscutível que, anos depois, o país viveu mergulhado numa guerra fratricida. Inicialmente, três exércitos desavindos, no caso as FAPLA, as FALA e as Forças do ELNA, então braço armado da FNLA, que acabaram por se afastar muito mais cedo da contenda militar.
Anos depois, o campo militar foi disputado pelas forças afectas ao MPLA e à UNITA, que vieram a encontrar um entendimento no princípio da década de 1990, culminando assim com a constituição de um exército único: FAA. Todavia, na sequência das Eleições de 1992, vencidas pelo MPLA e rejeitadas inicialmente por Jonas Savimbi, interrompendo assim a segunda- volta, o país voltou a viver um conflito.
Desta vez, já entre as forças do Governo angolano contra um exército apontado até pelas organizações internacionais como rebeldes, não obstante os argumentos que possam ser apresentados nos dias que correm. Em épocas de paz, é claro que, para muitos, a forma como se apresentam muitas histórias ou se narram os acontecimentos passados deveria ganhar outro cunho. Provavelmente, em nome do processo e da reconciliação em curso.
É admissível que assim fosse. Mas é sabido que dificilmente se poderá deixar de observar aspectos marcantes que, mesmo mascarados, têm nome e, outras vezes, até rosto. Angola tem personagens que, quer se queira, quer não, ficarão marcadas. Algumas pela positiva e outras pela negativa. A forma como dirigiram as instituições, as acções desenvolvidas e a repercussão destas tornaram- nos figuras inesquecíveis que surgirão nos debates, entrevistas e outras acções políticas que poderão ser realizadas. Infelizmente, é assim; não há jeito de escamotear isso.








