Mais de 10 anos depois da tragédia que enlutou Benguela, deixando um rasto de mortes e destruição, a província voltou a ser abalada por uma inundação sem precedentes na sequência do transbordo do rio Cavaco. As imagens que circulam desde o fim-de-semana são aterradoras.
Distante das habitações erguidas no morro, onde anteriormente ocorriam desabamentos por conta das áreas acidentadas onde foram construídas, desta vez a força da água invadiu bairros inteiros. São milhares os sinistrados, muitos dos quais não conseguiram sequer retirar os seus pertences, ao passo que outros não tiveram a sorte de sair com vida depois de surpreendidos à noite pela correnteza.
Até ao momento, segundo dados avançados pelas próprias autoridades, cinco pessoas terão perdido a vida e mais de mil acabaram resgatadas por efectivos da Polícia Nacional, Marinha de Guerra e do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros. Tendo em conta a dimensão das inundações, é provável que, nos próximos dias, o número de mortes possa aumentar, uma vez que ainda existe muita água em bairros periféricos.
Ontem, ao ver a TV Zimbo, foi lamentável o facto de uma família que acabou morta por uma parede da casa que não resistiu à força das águas. Os próximos dias serão desafiantes. São milhares os desalojados, as infra-estruturas danificadas que exigirão da sociedade uma resposta à altura para se atender às necessidades destes irmãos angolanos que, neste momento, precisam do apoio de todos.
É claro que o Executivo tem as suas responsabilidades, mas a sociedade civil é também chamada a acudir com aquilo que puder para se atenuar o nível de desgraça a que a população foi submetida pela força do rio Cavaco. Informações avançadas ontem indicavam que o BCI o e grupo Carrinho anunciaram uma acção conjunta de solidariedade, mobilizando um apoio superior a mil milhões de kwanzas, que serão canalizados directamente para as famílias e comunidades mais afectadas.
Certamente que outras entidades se irão mobilizar no sentido de se apoiar a população afectada, que neste momento precisa de quase tudo, incluindo roupa e alimentação.
A nível da comunicação social, o ‘abraço solidário’ servirá para se estender a mão aos benguelenses atingidos, podendo os cidadãos doarem aquilo que for possível, para que, com este gesto, se possa minimizar a carência que se faz sentir na província. É nestes momentos em que a união entre os angolanos precisa de prevalecer.








