São poucas, hoje, as figuras públicas que sobrevivem aos ataques provenientes das redes sociais. Não importa a posição política, económica ou social, elas tornam-se logo vítimas de um sistema não desinteressado, porque por trás há sempre qualquer interesse implícito.
Muitas vezes, associam-se estas acusações ou informações não credíveis a inimigos políticos externos. Mas a prática muitas vezes nos tem demonstrado que podem, também, advir de sectores internos formados por aqueles que se acreditam potenciais sucessores, ou ainda figuras que tenham perdido benesses, ou até mesmo negócios a nível dos vários sectores.
Quem está na política, nos negócios e até mesmo nas artes igualmente vêem as suas imagens associadas a práticas menos honestas, colocando-os numa situação de julgamento público sem que se possam até defender, um pressuposto constitucional. Por mais que se queira fundamentar muitos dos escritos no âmbito da liberdade de imprensa, é ponto assente que se está perante os conhecidos casos de Fake News que campeiam em muitos sites, publicações electrónicas e blogs criados por rostos desconhecidos, mas que ainda assim acabam por achincalhar e minar o futuro político, desportivo, cultural e económico de muitos cidadãos sacrificados.
Em Malanje, desde a passada Quarta-feira que o Ministério das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social organiza o seu quarto Conselho Consultivo, um órgão de consulta do ministro da pasta, Mário de Oliveira. Entre os vários temas em análise, no evento que deverá culminar hoje, a Lei das Fake News, da Cibersegurança e outros mecanismos de regulação vieram à tona num momento em que é cada vez mais evidente o papel que as redes sociais desempenham na vida dos próprios cidadãos.
Ao governador de Malanje, Marcos Nhunga, por sinal o anfitrião, coube efectuar o discurso de abertura, que acabou marcado, sobretudo, pela tirada sobre os ‘homens de rostos escondidos, que se escondem num computador, para atacar as pessoas’ . O político foi, nos últimos dias, vítima de ataques nada abonatórios contra a sua imagem, por indivíduos e sites ‘fantasmas’ que, em qualquer sociedade, devem merecer responsabilização dos seus autores caso o ofendido assim entenda.
O facto de os sites ou espaços não serem registados nem se conhecer os seus proprietários acaba por coartar muitas vezes o desejo de quem pretenda partir para a justiça. Mas o prejuízo, esse, sim, mesmo que mínimo, acaba por resistir ao tempo. Embora com posições desencontradas, entre os prós e contras, é quase consensual a necessidade imperiosa de se travar este fenómeno extremamente negativo. O que acaba por demonstrar a urgência de um diploma por parte do Estado que não deixe que o espaço cibernético se torne a terra de ninguém.








