‘Kazabula ou kazabuleiro’ eram as denominações atribuídas aos aviões de fabrico russo que, durante muitos anos, efectuavam a ligação entre Luanda, a capital, e muitas das províncias mais distantes, entre as quais as Lundas-Norte e Sul, Moxico e Cuando-Cubango.
Na verdade, tratava-se dos conhecidíssimos Antonov’s, hoje quase que afastados do circuito da aviação comercial angolana, mas representaram a tábua de salvação para os políticos, empresários, militares e outros profissionais que precisavam viajar para o interior, independentemente das condições atmosféricas ou político-militares de então.
Foram momentos únicos. De enorme sofrimento para os que habitavam naquelas terras longínquas, algumas delas até apelidadas de ‘Fim do Mundo’, como eram pejorativamente conhecidas as actuais Terras do Progresso, hoje repartidas entre as províncias do Cuando e do Cubango.
De igual modo, a era dos kazabuleiros foi profícua para os empreendedores que levavam mercadorias para o leste, noroeste e sul do país. Apesar dos custos de transportação, muitas das vezes com recurso a aviões militares a partir do Terminal Aéreo Militar, as margens de lucro eram convidativas, o que fez com que muitos jovens de Luanda não tergiversassem em recorrer aos mercados das Lundas-Norte e Sul para fazer negócios.
Todo o sucesso ou sofrimento que se observava, para os investidores e a população das referidas províncias, tinha um denominador comum: a famosa estrada 230. A via que liga as províncias de Luanda, Icolo e Bengo, Cuanza-Norte, Malange, Lundas-Norte e Sul e, por fim, Moxico. Quem se deslocasse da capital do país, por exemplo, para estas localidades, apercebia-se, rapidamente, que o custo de vida era quase o triplo ou mais do que se observava nas cidades do litoral.
A partir de uma simples lata de refrigerante, pilhas e outros produtos, se poderia aferir esta realidade. Não obstante a necessidade imperiosa que era a sua reabilitação, a degradação da Estrada Nacional 230 era, igualmente, motivo de satisfação para muitos adeptos do circuito comercial aéreo.
As melhorias acentuadas que se observam no respectivo traçado acabaram por impactar positivamente na vida dos populares, prevendo-se ainda mais assim que, em Setembro do corrente ano, o troço entre Maria Teresa e Catete estiver concluído. A garantia foi dada pelo ministro da Construção, Carlos Santos, ontem, na sequência da visita que o Presidente da República, João Lourenço, efectuou à província de Icolo e Bengo.
Significando que, após a entrega do troço, as viagens entre Luanda e o leste ou nordeste do país serão ainda mais curtas, o que deverá impactar no preço das viagens e, quiçá mesmo, dos produtos que lá chegam diariamente.









