A eleição de Angola à presidência da União Africana foi desde cedo uma espinha na garganta de muitos. A construção de narrativas de que se tinha utilizado caminhos ínvios para se conseguir tal feito, sobretudo num ano em que o país comemorava o seu 50.º aniversário da independência, foi por demais evidente.
O pior foi ver políticos da oposição vociferando, aos quatro cantos, que se tinha pago, porque a lógica que entendiam era de que se deveria seguir outros passos, mas que sobretudo não viessem a favorecer Angola e o seu presidente.
Para muitos, mesmo quando se esteja em causa o nome e os interesses do país, ainda assim o ideal é que os seus opositores nem sequer apareçam. Por isso, um ano depois de Angola ter cumprido o seu mandato, há uma legião que vai apregoando que esta liderança tenha sido negativa, ou seja, não atingiu os objectivos que se preconizavam.
É curioso que, embora em democracia se deva respeitar todas as opiniões, existam alguns que se atrelam ao desastroso conflito ainda vigente na República Democrática do Congo para imputarem a Angola – ao Presidente João Lourenço – uma nota negativa.
Longe dos cidadãos comuns, muitos dos quais desconhecem o submundo político, há até gente mais experiente politicamente que vai vendendo a tese de que bastaria a vontade de Angola para que os congoleses se pudessem entender, mesmo depois de várias tentativas fracassadas de acordos de paz costurados entre Luanda, Qatar e Washington.
Esquecem-se estes mesmos que em Angola foi preciso, num determinado período de guerra, com constantes incertezas, aplicar-se uma fórmula interna que felizmente funcionou. O que quer dizer que bastará a vontade congolesa para que um dia as partes cheguem a uma paz duradoura.
Agora, faz-se da alusão ao regime na Guiné- Bissau, onde o Presidente Umaro Sissoco simulou um golpe e entregou o poder a militares próximos, uma situação de comparação com os processos eleitorais no nosso país.
A cada dia que passa, sinto que há necessidade de muitos, com preferência para os políticos, conversarem com os espelhos que possuem para poderem, no mínimo, observar as grandes diferenças entre o que eles próprios são e o que tem estado do outro lado reflectido.
Porque comparar o que se passa em Angola e na Guiné- Bissau pode ser de algum modo doentio, que nem mesmo a ânsia pelo poder deveria tolerar.









