O início do mês de Abril, o quarto do ano, ficou marcado pelas enxurradas que caíram sobre quase todo o país. Em cada província, sem qualquer piedade, deixou um rasto de destruição, desabando casas, pontes, ruindo estradas e criando um prejuízo para muitos ainda incalculável. Haverá, certamente, num futuro próximo ou distante, quem recupere as infra-estruturas e outros bens móveis e imóveis com muito ou pouco esforço.
Aliás, nos últimos dias, já vimos movimentações de governadores provinciais, administradores municipais e até comunais no sentido de reabilitar determinadas infra-estruturas que tenham sido afectadas. Uns de galocha, calças jeans e outros mais aprumados, até com indumentárias impróprias para a ocasião, alguns deles percorreram as suas circunscrições com a promessa de que irão devolver a mobilidade que se tinha antes, acabar com as águas paradas e outros restabelecer os fornecimentos de água e energia.
Irrecuperáveis estarão mesmo as vidas perdidas ao longo dos anos, incluindo nas enxurradas desta última semana. Pior é que muitas delas ocorreram em locais onde já haviam registado outras vítimas por conta da situação precária em que vivem os populares, alguns dos quais em morros sem qualquer acesso.
Estamos lembrados da tragédia em Benguela, mormente na Catumbela e Lobito, municípios onde não se esperava que viessem a assistir a episódios semelhantes, tendo em conta a mágoa que as chuvas já provocaram aos seus cidadãos.
Apesar da sua enorme extensão, em Angola, para se ter acesso a um terreno, é ainda um quebra- cabeça, não se compreendendo em muitos casos como forasteiros – muitos a coberto do investimento externo – conseguem obter enormes parcelas, algumas delas até em zonas nobres que serviriam para a construção de habitações para os populares.
Em muitos casos, afastados destas possibilidades, muitos cidadãos não vêem alternativas senão edificar em zonas de risco, onde, por sinal, também não contam com a mão pesada das administrações municipais, que assistem impávidas e serenas ao surgimento de bairros a cada dia que passa.
É assim em quase todo o país. Tem sido assim em Luanda e Benguela, por exemplo, províncias que registaram mortes nas últimas semanas, depois de outras tragédias registadas. Em Benguela, felizmente, o governador local, Manuel Nunes Júnior, responsabilizou as próprias administrações como culpadas pelas ocorrências, por não se terem oposto a muitas das construções que hoje compõem a periferia da província, muitas das quais em morros.
Para Manuel Nunes Júnior, era preferível coartar a possibilidade de se ver muitos casebres ou até mesmo casas surgirem a hoje enfrentar os fantasmas causados pelas mortes que insistentemente surgem por conta das chuvas quase todos os anos.









