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É de hoje…É preciso punho forte

Dani Costa por Dani Costa
10 de Junho, 2024
Em Opinião

Cresci e vivi numa zona de Luanda em que sempre houve uma linha férrea. No meu saudoso Hoji ya Henda, diferente do hoje turbulento, havia uma linha férrea que ligava a estação do Bungo ao Kikolo, área em que se encontra, ainda hoje, a moagem que recebia os grãos de trigo que lá iam em grandes quantidades.

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Enquanto novos – e também desavisados – eram muitos os que ‘tacavam’ das carruagens ou ainda os que sem algum dinheiro ainda se tentavam prosseguir viagem. Nem mesmo a fiscalização rigorosa dos cobradores os impedia de fazer tais travessuras.

Não eram comboios de alta velocidade. Mas também não eram mais os famosos recoveiros. Ainda assim, não deixaram de ser perigosos, o que igual- mente não impedia os cidadãos de comercializrem produtos ao longo da linha férrea, com maior incidência para as estações, onde a azáfama sempre tomou conta de tudo e todos.

A relação entre comboios e anarquia por parte de muitos cidadãos não vem de hoje. As construções para impedir que se vandalizem os equipamentos ferroviários, não se venda próximo das linhas férreas há muito que foram sendo ensaiadas. Um dos exemplos é mesmo na velha linha, hoje inactiva, que viu nascer, ao longo da sua extensão, alguns bairros com construções antes precárias e hoje definitivas.

Hoje, depois de uma viagem que o Presidente da República, João Lourenço, fez no trajecto entre o Bungo e o Aeroporto Dr. António Agostinho Neto, renasce em decretos a necessidade de se criar condições de segurança para que as viagens corram em segurança e também não se ponha em perigo a vida dos cidadãos. É uma medida a aplaudir.

Sem dúvidas. Com certeza, à semelhança do passado, poderemos ver renascer os já vistos muros de betão, ou então vedações de ferro para que os cidadãos não sejam colhidos nem se atrapalhe a passagem dos comboios, não só dos que se vão deslocar ao aeroporto, como de todos os outros passageiros que usarem os referidos meios para chegarem noutros pontos através daquela linha dos Caminhos-de-Ferro de Luanda.

A falta de barreiras hoje deriva da própria vandalização feita por muitos cidadãos, assim como da falta de passagens que pudessem facilitar também a vida destes para saírem de um ponto ao outro. Porém, há ainda a questão das vendas ao longo da linha férrea, que deve merecer uma atenção especial das autoridades.

A edificação das barreiras deve vir associada de medidas viradas para a educação e sensibilização dos cidadãos. Mas, ainda assim, não se pode descurar da mão pesada do Estado para aqueles que violarem as suas leis.

Por vezes, fica-se com a sensação de que o sentimento do manda lixar que muitos populares implementam cada vez mais não pode ser travado em nome de uma propalada estabilidade social.

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