Há histórias que não começam em palcos iluminados nem em gabinetes com ar-condicionado. Algumas nascem na poeira das ruas, no suor do esforço diário e nas madrugadas silenciosas em que apenas a fé conversa com o coração.
A minha história começou assim. Sou filho de camponeses. Da terra herdei a dignidade do trabalho e o valor da perseverança. Muito cedo compreendi que a vida não oferece caminhos prontos; ela apresenta desafios. E cada pessoa decide se vai parar diante deles ou continuar a caminhar.
Quando frequentava apenas a 4.ª classe, já sabia que estudar não seria apenas um direito, seria uma conquista. Em Cacuaco, na pracinha do meu bairro, comecei a vender petróleo.
Não era apenas comércio. Era sobrevivência. Era a for ma de comprar cadernos, canetas e manter vivo o sonho de continuar na escola. Mais tarde, no Hoji-ya-Henda, a zunga tornou-se parte da minha rotina. Vendia gasosas pelas ruas.
Nas mãos carregava uma caixa de bebidas; no coração levava esperança. Porque dentro de mimha via uma certeza que nunca morreu: o estudo seria a ponte para um futuro diferente. Entre o ensino primário e a universidade, percorri caminhos difíceis.
Muitas vezes faltaram recursos, mas nunca faltou fé. A vida ensina uma lição importante a quem luta desde cedo: quem aprende a resistir não se rende facilmente.
Por: BAPTISTA TAVARES








