OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 1 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Cisku Ndala: das origens ao palco — o Lobito em voz alta

Jornal OPaís por Jornal OPaís
10 de Novembro, 2025
Em Opinião

Há vozes que parecem nascer de um pacto com o vento. Vozes que não pertencem apenas à carne que as sustenta, mas à terra, ao tempo e ao povo que as faz ecoar. Cisku Ndala, nome artístico de Francisco Pascoal Ndala, é uma dessas vozes que carregam o sal do mar e o ferro do Lobito, a devoção da igreja e o grito contido de uma geração que aprendeu a cantar para não desistir.

Poderão também interessar-lhe...

Carta do leitor: A delinquêcia que preocupa

Pontual: Chegou 2026!

Feliz Ano Novo

Hoje, aos trinta e três anos, ele é finalista do “Unitel Estrelas ao Palco”, o mais conhecido concurso de imitação musical de Angola, transmitido pelo canal Zap Viva. E é também o orgulho de uma cidade que se revê nele como num espelho sonoro — o Lobito inteiro vibra, respira e sonha ao ritmo da sua voz. Mas o caminho até aqui não foi feito de luzes nem de fama.

Foi um percurso de paciência e de fé, de quedas e recomeços, de noites em que a música era a única forma de sobreviver ao silêncio. Cisku nasceu e cresceu no bairro da Zâmbia, um dos espaços mais vivos e simbólicos do Lobito — bairro de ferro e poeira, de riso e resistência.

Ali, onde a vida se faz entre o mar e o musseque, aprendeu desde cedo que a música é também uma forma de oração. As ruas eram o seu primeiro palco; os amigos, o seu primeiro público.

A cada batida improvisada no balde, a cada canto em coro ao entardecer, nascia nele uma certeza: a voz era o seu destino. Foi na Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA), no pastorado do Alto-Liro, que Cisku encontrou o lugar onde a música e a fé se tornaram inseparáveis.

Fez parte de grupos como o Geogral Luz do Mundo, o Musical Televando, a Banda Pulungunza e a Banda Venceremos — espaços que lhe moldaram o carácter e lhe ensinaram que cantar é servir. A igreja foi a sua primeira escola artística e espiritual: nela aprendeu que o canto, quando nasce do coração, é capaz de curar feridas que a palavra não alcança.

O primeiro grande salto deu-se quando decidiu inscrever-se no “Unitel Estrelas ao Palco”. Foi a primeira tentativa. Cantou, encantou, e chegou até à semifinal. O público percebeu ali que algo diferente se erguia — uma voz autêntica, limpa, sem artificialidade.

Ainda assim, a vitória escapou-lhe. Mas o fracasso não o fez recuar. Pelo contrário: ensinou-lhe que cada palco é uma travessia. Voltou para casa e continuou a cantar, a sonhar, a preparar-se. Foi então que surgiu o convite para participar no “Estrelas de Angola”, da Palanca TV, outro concurso musical que, de certo modo, seria o ensaio espiritual do seu regresso.

E foi ali que Cisku encontrou a confirmação do seu dom. Imitou o cantor sul-africano Luke Dube, o artista que se tornaria a sua referência estética e emocional. Com ele, encontrou não só um estilo vocal, mas uma maneira de sentir a música. A interpretação era tão genuína que venceu o concurso. Essa vitória, celebrada com humildade e gratidão, abriu-lhe o caminho de regresso ao palco maior — o “Unitel Estrelas ao Palco”. Desta vez, voltou com maturidade, confiança e entrega, decidido a transformar a imitação num acto de criação.

E assim foi. Gala após gala, Cisku emocionou o público com interpretações que ultrapassavam o limite da cópia: ele recriava Luke Dube à sua própria maneira, fundindo Joanesburgo e Lobito num mesmo tom de alma.

A ligação entre os dois artistas é mais profunda do que parece. Luke Dube, com o seu estilo soul-africano, melódico e espiritual, sempre cantou o amor e a vulnerabilidade com um peso quase sagrado. Cisku, por sua vez, traz essa sensibilidade traduzida à sua realidade — o Lobito, as igrejas, os bairros, a fé. Quando canta, ele não está a imitar Luke Dube — está a conversar com ele.

É um diálogo entre duas vozes negras, duas geografias da alma, dois continentes interiores ligados pela mesma linguagem: a música como redenção.

Mas há algo de ainda mais profundo no fenómeno Cisku Ndala: ele representa o reencontro do Lobito com a sua própria voz. Durante décadas, a cidade foi conhecida pelo porto, pelo ferro, pela Restinga, pelos comboios e pelos camiões — mas não pelas vozes que a habitam. Com Cisku, o Lobito canta-se a si mesmo. Quando ele aparece na televisão, o bairro pára.

As crianças juntam-se nos quintais, os mais velhos aproximam-se das televisões, e as famílias sussurram: “é o nosso rapaz”. Ele tornou-se símbolo de pertença, orgulho e esperança. Um kamutangre contemporâneo, lutador e fiel às suas raízes, que inspira os jovens a acreditarem que é possível vencer sem renegar de onde se vem.

Por: Fernando Tchacupomba

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Carta do leitor: A delinquêcia que preocupa

por Jornal OPaís
1 de Janeiro, 2026
PEDRO NICODEMOS

Ao coordenador do jornal OPAÍS, feliz Ano Novo e que seja de muitas realizações! O ano que ontem terminou ficou...

Ler maisDetails

Pontual: Chegou 2026!

por Jorge Fernandes
1 de Janeiro, 2026

Estamos em 2026. Para alguns diriam, finalmente. Para outros, é mais um ano de desafios, de projecção, de conquistas, face...

Ler maisDetails

Feliz Ano Novo

por Jornal OPaís
1 de Janeiro, 2026

Hoje celebra-se o Ano Novo. Que cada página de 2026 seja escrita com amor, alegria, paz e muitas conquistas. Em...

Ler maisDetails

China e o Sul Global: Diplomacia, respeito e uma nova oportunidade de desenvolvimento

por Jornal Opais
31 de Dezembro, 2025

Por; Juvenal Quicassa O cenário geopolítico global é actualmente marcado por diversas tipologias de conflitos entre os Estados, sanções e...

Ler maisDetails

Obrigatoriedade da facturação electrónica entra hoje em vigor

1 de Janeiro, 2026

ISPTEC brinda comunidade do Tapo com festa de fim de ano

1 de Janeiro, 2026

2025 marcado com inaugurações de projectos de impacto que alteram o perfil económico e social de Cabinda

1 de Janeiro, 2026

Angola condena ataques no Leste da RDC e apela ao fim imediato das hostilidades

1 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.