O cenário geopolítico global é actualmente marcado por diversas tipologias de conflitos entre Estados, sanções e discursos de exclusão proferidos entre actores internacionais.
Mas, a par disto, temos assistido à afirmação da diplomacia chinesa como uma alternativa um pouco mais concreta para os países do Sul Global. Mais do que uma simples estratégia de expansão de influência, tal como advoga o realismo político, do ponto de vista do construtivismo é possível olharmos para a actuação externa da China como uma aposta clara no multilateralismo, baseada essencialmente nos pilares que balizam as relações pacíficas entre os Estados: o respeito pelo direito internacional e a valorização da soberania estatal.
Estes princípios, embora venham sendo progressivamente enterra dos por diversos actores internacionais, sobretudo pelas potências ocidentais, continuam a ser fundamentais para nações historicamente marginalizadas no sistema internacional. É claro que não podemos deixar de reconhecer que, de facto, o Governo Chinês, assim como qual quer grande potência, persegue interesses estratégicos ao nível da estrutura internacional.
No entanto, há aqui alguns elementos que diferenciam a China no actual jogo de xadrez geopolítico, os quais se inserem precisamente na forma como esses interesses têm sido articulados.
Ora, se por um lado as outras potências procuram concretizar os seus interesses através de instrumentos de pressão ou de imposição condiciona da, a China, por sua vez, procura atingir os seus objectivos estratégicos fora desse âmbito de actuação, sem qualquer tentativa de imposição de modelos políticos, nem por via da ingerência nos as suntos internos, mas sim por meio da cooperação, da assistência ao desenvolvimento e do reconheci mento da diversidade de caminhos nacionais, tal como sustentado pelas normas internacionais.









