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OPaís

Carta do leitor:A busca do “líquido precioso” nos bairros do Cazenga

Jornal Opais por Jornal Opais
13 de Janeiro, 2025
Em Opinião

Saudações, director do Jornal OPAÍS! passaram as quadras festivas. depois de longos dias agitados, as pessoas perceberam finalmente que, terminada a época das vacas gordas surge a época das vacas magras. e sobre as vacas magras…

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Como é de se esperar, no melhor mês do ano, o Janeiro, as pessoas começam a viver a própria sassassa: contas a bater errado, juros atrás de juros, dívidas, fome, só para não citar o facto de os dias durarem mais do que 24 horas.

Se as vacas gordas representam a abundância e fartura, as vacas magras, nesse caso, representam mais do que uma fase de fome, uma fase de seca. Sim, seca. o dinheiro faz falta, a fome é dolorosa, mas a falta de água num bairro é horrível.

Não obstante o facto de já não termos água potável a jorrar nas nossas torneiras (com excepção de algumas residências) há longos meses, nós, os cidadãos do bairro Travessia Belo Horizonte, neste início de 2025, somos obrigados a percorrer distâncias incalculáveis para conseguir água comprada a um preço mais alto do que o habitual.

diariamente, muitas são as pessoas de várias idades que se deslocam de um lado para o outro com bidões e bacias à procura de água. Safam-se, nestes casos, aqueles com capacidade de pagar a uma cisterna para abastecer os seus reservatórios de água, mas, pelo que se vê, nem mesmo eles conseguem escapar ao fenómeno das vacas magras, pois, antes, é preciso ter dinheiro (que não se acha nesse período) para pagar as referidas cisternas.

Até então, não temos nenhuma informação do que pode estar na base deste problema que afecta a todos. porém, enquanto citadinos prejudicados e, por isso, temos unido forças para ver revertida a situação. os mais velhos cá no bairro têm feito reuniões cujo tema jamais se alterou: água no bairro. A altura do ano em que nos encontramos torna tudo isto mais complicado do que devia ser.

Vivemos dias extremamente quentes e, se não há água, nestes dias quentes só se pode viver o próprio inferno. Há quem, face a tudo isto, se vê obrigado a recorrer às águas salobras para uso doméstico como lavar ou tomar banho. Em casos extremos, usa-se até para cozinhar, o que não é medicamente aconselhável, porque tal acto pode gerar graves problemas à saúde.

O preço dos recipientes nos quais carregamos o líquido é das coisas que mais nos preocupa. Anteriormente, pagávamos 50 kwanzas por um bidão de 20 litros e hoje este mesmo bidão custa 150 kwanzas.

Casas há que precisam de seis bidões para uso diário, e para ter água suficiente num dia é necessário que se gaste 900 kwanzas que calculado por sete (equivalente a uma semana) dá um total de 6300 kwanzas , o que é muito para pessoas que gastavam menos do que a metade desse valor.

A água é um bem essencial e substancial para a vida, logo, todos merecemos usufruir dela e dos benefícios que ela acarreta. porque, tal como se diz, “a água é vida” e a vida é uma dádiva, é uma graça que nos é ofertada sem algum merecimento da nossa parte.

Bem, nós esperamos expectantes e com muita fé que essa fase passe ou que, melhor do que isso, se levante um “José do egipto” para, ao menos, fazer as ligações para que possamos ter água nesse tempo das vacas magras.

POR:Germano Notícia,Cazenga, Nocal

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