OPaís
Ouça Rádio+
Qua, 14 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

As peripécias de um verdadeiro repórter

Jornal OPaís por Jornal OPaís
28 de Novembro, 2025
Em Opinião
Foto de: DANIEL MIGUEL

Foto de: DANIEL MIGUEL

Ser repórter em Angola é caminhar entre luz e sombra, carregando na mão o bloco que regista o país, ouvindo vozes que nem sempre querem ser ouvidas, e enfrentando portas que se abrem e fecham conforme o vento, num ofício que exige coragem em cada passo.

Poderão também interessar-lhe...

Carta do leitor: Conduzir no período nocturno…

É de hoje…Revolução energética de João Lourenço

Papa Leão XIV visita Angola

O repórter chega cedo ao local do acontecimento, mas muitas vezes encontra barreiras invisíveis, onde assessores confundem função pública com propriedade, impedindo o trabalho que serve o cidadão, e atrasando a verdade que deveria ser imediata.

Há dias em que o repórter corre atrás do transporte, pede boleia para não perder a entrevista marcada, ou segura o telefone quase sem bateria, porque a redacção nem sempre fornece condições, mas a missão é maior do que o cansaço.

O repórter abandona o prato ainda quente, corre para cobrir um incêndio ou protesto, ou entra numa sala onde nada estava previsto, e precisa transformar o imprevisto em notícia, num ritmo que poucos compreenderiam.

Quando volta à redacção, às vezes exausto, traz histórias que não couberam diante das câmaras, fragmentos de humanidade que pesam no coração, e um texto que precisa defender no alinhamento, porque nem tudo é prioridade para quem decide.

Há repórteres que compram do bolso o próprio cabo, outros pagam transporte para cumprir a pauta, e muitos enfrentam dias inteiros sem apoio técnico, produzindo conteúdo que sustenta o órgão, sem reconhecimento proporcional ao esforço. Pedem ao repórter equilíbrio e imparcialidade, mas esquecem que ele trabalha sob pressão, com prazos apertados e condições limitadas, num ambiente onde o improviso vira ferramenta, e onde a ética precisa ser defesa constante.

O repórter é criticado por pequenos deslizes, como um nome mal pronunciado em directo, mas é raramente elogiado quando humaniza histórias, traduz temas complexos com simplicidade, ou dá voz a quem o país insiste em ignorar. A promoção raramente segue critérios claros, depende de simpatias, humores e preferências, e não da qualidade do trabalho produzido, enfraquecendo carreiras que mereciam crescer, e desmotivando quem realmente carrega a notícia.

Mesmo assim, o repórter encontra brilho na missão, porque testemunha a história acontecer de perto, transforma caos em narrativa compreensível, e serve o público com sentido de responsabilidade, mesmo quando a gratidão não chega.

Nas províncias, os obstáculos são ainda maiores, onde a distância torna cada pauta um desafio, e o repórter se adapta com criatividade genuína, gravando som em ambientes difíceis, e garantindo notícias que alimentam as capitais.

Nos gabinetes oficiais, enfrenta formalidades rígidas, respostas ensaiadas e olhares desconfiados, mas nos bairros encontra espontaneidade, gente que fala com verdade e emoção, e oferece o lado real do país. Nos actos de Estado é tratado como figurante, manos momentos de crise é essencial, procurado para informar com rapidez, mesmo quando antes foi ignorado, num ciclo que revela incoerências públicas. As peripécias tornam-se escola do repórter, ensinando a improvisar com inteligência, a recomeçar mesmo após falhar, a insistir quando todos desistem, e a manter dignidade mesmo no caos.

O papel do repórter é vital para a democracia, porque vigia o poder e questiona decisões, mesmo quando isso lhe custa conforto, e quando enfrenta tentativas de intimidação, que testam a sua integridade todos os dias. Muitos sonham com formação contínua justa, com salários dignos e carreiras transparentes, com políticas que valorizem quem produz, e com condições reais para exercer a profissão, sem depender do improviso constante.

Informar é um acto de resistência silenciosa, que exige firmeza perante pressões externas, e cuidado para não se deixar manipular, mantendo de pé a verdade possível, num terreno onde poucos querem pisar. O repórter aprende a ouvir com paciência, a perguntar com coragem e precisão, a narrar factos sem perder humanidade, e a respeitar o sofrimento alheio, porque a notícia também é responsabilidade moral.

A profissão não vive de glamour nem fama, mas de disciplina, ética e entrega diária, de madrugadas interrompidas pelo dever, e de deslocações que parecem infinitas, num ciclo que só quem vive compreende. Há momentos que ninguém presencia, como lágrimas antes da entrevista difícil, o silêncio de quem perdeu tudo, ou a solidão do repórter num regresso tardio, carregando histórias que o marcam para sempre.

A classe precisa de valorização urgente, com políticas internas transparentes, que protejam quem está na linha da frente, e ofereçam condições dignas de trabalho, para que o jornalismo não enfraqueça.

A promoção por mérito é igualmente urgente, porque é ela que motiva e gera qualidade, e impede que preferências pessoais dominem, permitindo que o talento seja reconhecido, e que a classe cresça de forma saudável.

Apesar de tudo, o repórter não desiste, acorda sempre com o mesmo compromisso, serve o público com verdade e coragem, mesmo quando o mundo não agradece, e mantém a missão viva dentro de si.

As peripécias moldam o carácter da classe, afinam a sensibilidade de quem narra o país, desafiam o repórter a ser melhor amanhã, e fortalecem a identidade profissional, num ofício que nunca deixa de surpreender.

O repórter é o rosto invisível da nação real, que trabalha com dignidade mesmo sem aplausos, e continua firme apesar das dificuldades, porque a verdade é o seu compromisso maior, e o país precisa da sua voz todos os dias. Um repórter. Um repórter sempre… até o fim da vida.

Por: Yara Simão

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Carta do leitor: Conduzir no período nocturno…

por Jornal OPaís
14 de Janeiro, 2026
VIRGILIO PINTO

Ilustre coordenador do jornal OPAÍS, saudações a todos os trabalhadores desta casa de imprensa. Na verdade, a condução à noite...

Ler maisDetails

É de hoje…Revolução energética de João Lourenço

por Dani Costa
14 de Janeiro, 2026

Contam-se somente três meses desde que o Presidente da República, João Lourenço, deslocou-se à província de Cabinda para a inauguração...

Ler maisDetails

Papa Leão XIV visita Angola

por Jornal OPaís
14 de Janeiro, 2026

P ara os fiéis católicos, o “Papa” é o líder supremo da Igreja. Há séculos, a sua figura representa tradição....

Ler maisDetails

Entre Belma e supostos predadores sexuais: momento de estupro mental, colectivo e glória de prazeres forçados

por Jornal OPaís
13 de Janeiro, 2026

Não me opus à interpretação sobre o acto bárbaro assistido nos últimos tempos em todo território Nacional, fruto da confluência...

Ler maisDetails

Filme angolano “Vigiai” vai ser exibido na rubrica Cine Palácio de Ferro

14 de Janeiro, 2026

Músico A’mosi lança projecto musical para impulsionar artistas emergentes

14 de Janeiro, 2026
VIRGILIO PINTO

Carta do leitor: Conduzir no período nocturno…

14 de Janeiro, 2026

É de hoje…Revolução energética de João Lourenço

14 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.