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Angola não precisa de gritos. Precisa de consciência

Jornal OPaís por Jornal OPaís
28 de Novembro, 2025
Em Opinião

Vivemos tempos em que o ruído se tornou norma e o silêncio consciente passou a ser confundido com fraqueza. Falamos alto, discutimos muito, apontamos depressa – mas escutamos pouco.

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E é nesse desequilíbrio que a Nação se perde, exactamente quando mais precisa de se reencontrar. Angola não precisa de mais gritos. Precisa de consciência colectiva. Precisa de um povo que compreenda que o futuro não se constrói apenas com críticas, mas com responsabilidade; não se sustenta apenas com emoção, mas com visão; não se alcança apenas com discursos, mas com compromisso diário.

Hoje, sob o olhar atento de quem ama verdadeiramente este País, percebemos que o maior desafio da nossa geração não é político, financeiro ou tecnológico. É moral. É a capacidade de voltarmos a acreditar uns nos outros, de resgatarmos o sentido de comunidade, de respeitarmos o valor das instituições e de compreendermos que ninguém sozinho salva uma Nação. Vivemos numa era em que a desinformação viaja mais rápido que a verdade, em que a destruição da reputação virou entretenimento e em que a coerência passou a ser vista como ingenuidade. Mas uma sociedade não cresce quando normaliza o ódio.

Cresce quando cultiva a lucidez. O verdadeiro patriotismo não se mede pela fúria nas redes sociais, mas pela coragem de construir, todos os dias, um País melhor para os que ainda não nasceram. É fácil destruir. Difícil é erguer. É fácil acusar. Difícil é propor.

É fácil desistir. Difícil é insistir. A juventude angolana, essa força vibrante, não pode ser refém do ressentimento. Precisa ser guiada pela esperança activa, aquela que transforma talento em competência, sonho em projecto, ambição em progresso. A juventude não é problema.

É solução. Mas só floresce quando encontra liderança com propósito. E liderança não é palco. Liderança é responsabilidade silenciosa, decisão difícil, coerência incómoda e visão firme em meio ao caos. Liderar é não se curvar ao populismo da facilidade, mas erguer-se com dignidade na defesa do que é justo, mesmo quando isso custa popularidade.

O futuro de Angola não se escreve no improviso. Escreve-se com planeamento, com educação, com disciplina, com ética, com investimento sério no capital humano. Um País que não respeita o saber condena-se a repetir erros. Um País que não valoriza os seus jovens adia o próprio amanhã. Hoje, mais do que nunca, precisamos reaprender a pensar como Nação. A falar com responsabilidade. A agir com consciência.

A caminhar com visão de longo prazo. Porque quem nos empurra para o caos não é nosso aliado. Quem nos divide não é nosso amigo. Quem nos incita à guerra não deseja o nosso progresso. Angola merece mais do que sobrevivência.

Merece grandeza. Merece uma geração que compreenda que o verdadeiro poder não está em vencer o outro, mas em elevar o todo. Que o verdadeiro triunfo não é individual, mas colectivo.

Sob o olhar atento da História, cada gesto conta. Cada palavra pesa. Cada decisão ecoa. E no final, a pergunta que fica é simples, mas profunda: Que País estamos a construir com as nossas atitudes de hoje?

Por: Edgar Leandro

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