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Angola e os Estados Unidos da América: marcos e desafios para o futuro face ao encontro entre o Presidente Joe Biden e o Presidente João Lourenço

Jornal Opaispor Jornal Opais
5 de Dezembro, 2023
Em Opinião
Angola e os Estados Unidos da América: marcos e desafios para o futuro face ao encontro entre o Presidente Joe Biden e o Presidente João Lourenço

A diplomacia angolana tem dado passos importantes com as dinâmicas dos nossos representantes diplomatas e os nossos dirigentes políticos.

Nesta senda, entrando nos aspectos concretos, devemos salientar que, durante todos estes anos e décadas, a diplomacia angolana teve os seus altos e baixos.

Assim, desde a realização das eleições multipartidárias de 29 e a 30 de Setembro de 1992, considerada livres e justas pela comunidade internacional, a diplomacia angolana conseguiu conquistar um espaço de intervenção cada vez crescente em Washington.

No dia 5 de Maio de 1993, um grupo de 45 congressistas democratas e republicanos enviou uma carta ao Presidente Bill Clinton manifestando a sua preocupação com a situação de Angola, pressionando os EUA para reconhecer o Governo de Angola legalmente eleito.

E foi assim que, no dia 19 de Maio, o Presidente Bill Clinton anunciou publicamente o reconhecimento do Governo angolano.Este ano comemoramos 30 anos de celebração de relações diplomáticas entre Angola e EUA, uma relação diplomática que iniciou no dia 19 de Maio de 1993.

Devem ajudar para olhar para o passado, entender o presente, mas acima de tudo perspectivar o futuro que auguramos profícuas. Neste contexto, sendo a diplomacia arte de negociar, hoje os Governos perseguem os interesses legítimos.

Quando se está numa cooperação tem de ser sensivo, porque na diplomacia vamos encontrar a negociações competitivas e a negociações distributivas.

Nestes termos as negociações distributivas são de extrema importância, o objectivo aqui é que haja reciprocidades nos ganhos, que devem ser parentais e eficientes — no caso concreto, os EUA ganham e Angola também —, isto é a regra básica da diplomacia no que concerne às negociações.

Ao longo dos anos, as relações bilaterais entre a República de Angola e os EUA, nos mais variados domínios da vida política atravessam um excelente momento.

Vêm-se desenvolvendo aos mais diferentes níveis com indicativos de uma elevação para patamares cada vez mais altos.

Angola e os EUA são parceiros em circunstâncias iguais, como rezam as normas do Direito Internacional Público, com uma colaboração directa. Angola é o terceiro maior parceiro comercial dos EUA na África Subsaariana devido sobretudo à exportação de petróleo.

Os investimentos significativos em Angola, anunciados pelo Presidente Joem Badien — em áreas-chaves, como da Tecnologia Digital, Energia Solar, Infra-Estruturas Ferroviárias, corredor do Lobito e na área da Defesa e Segurança — assentam sobre elementos alcançados entre os dois países no encontro histórico que teve lugar na quinta-feira, 30 de Novembro, na mítica sala oval da Casa Branca.

Angola tem enormes desafios: 1 – Continuar a desenvolver esforços para fortalecer e aprofundar a todos os níveis as relações político-diplomáticas e cooperação económica com EUA, na base do respeito, da reciprocidade e das vantagens mútuas para os benefícios dos dois países e dos seus povos; 2 – Melhorar cada vez mais o ambiente de negócio, assim como adoptar práticas de gestão, quer a nível político, quer a nível económico, que estão enquadrados nos valores universais aceites; 3 – Deve continuar a fazer um esforço para garantir a paz e a segurança em África, concretamente na África Austral; 4 – Continuar a governar na base da Prosperidade, Transparência, no Combate à Corrupção, à Bajulação, ao Nepotismo, e na base da Boa Governação, pois são estes pilares em que assentam o reconhecimento do Governo americano em relação às mudanças estruturantes que acorrem em Angola.

Para finalizar, importa realçar que o Presidente João Lourenço é o segundo Presidente angolano a visitar a Casa Branca, depois do saudoso Presidente José Eduardo dos Santos em 1995.

Outrossim, apelamos aos diplomatas e aos políticos angolanos a tirarem as devidas vantagens deste encontro, para a construção de um país bem erguido e feliz para todos os angolanos.

 

Por: MODESTO SILVA

*Jurista

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