A diplomacia contemporânea deixou de ser apenas um exercício de protocolo e relações formais entre Estados. No mundo actual, a influência internacional constrói-se também através de reputação, credibilidade institucional, capacidade de execução e presença estratégica no espaço público global.
Vivemos uma fase de transformação geopolítica acelerada. As potências tradicionais disputam novas alianças, recursos estratégicos, rotas comerciais e narrativas globais.
Neste contexto, países emergentes como Angola enfrentam um desafio central: ou assumem uma posição activa e inteligente no sistema internacional, ou tornam-se apenas espaços observados e disputados por interesses externos. Hoje, nenhum País é avaliado apenas pelo que diz.
É avaliado pelo que demonstra. A estabilidade institucional, a consistência das políticas públicas, a capacidade de atrair investimento e a forma como se comunica para o mundo tornaram-se elementos decisivos para a credibilidade internacional.
A reputação passou a ser um activo estratégico, capaz de abrir portas políticas e económicas que, muitas vezes, não se conquistam apenas com recursos financeiros. É neste cenário que o conceito de soft power ganha relevância.
O poder de atrair e influenciar através da cultura, do desporto, da educação, da inovação e da narrativa nacional tornou-se determinante para o posicionamento de um País. África, apesar do seu potencial, continua ainda distante de uma utilização estruturada deste instrumento.
Angola, porém, possui condições para assumir um papel mais forte nesta dimensão, desde que consolide uma estratégia de comunicação e posicionamento internacional baseada em resultados e consistência. A construção de uma marca-país séria exige mais do que slogans e campanhas publicitárias.
Exige coerência entre discurso e prática. Exige alinhamento entre política externa, governação interna, estabilidade institucional e capacidade efectiva de entrega. Um País com reputação forte é aquele que, ao ser mencionado, activa imediatamente uma percepção de credibilidade, confiança e oportunidade.
O desporto e os grandes eventos internacionais, por exemplo, tornaram-se hoje plataformas relevantes de diplomacia aplicada. A capacidade de acolher competições regionais e internacionais projecta estabilidade, organização e abertura ao mundo.
Cada evento bem organizado transforma-se num palco diplomático, capaz de reforçar relações internacionais, atrair investimento, gerar turismo e promover sectores estratégicos da economia. Neste contexto, comunicação institucional deixou de ser uma questão estética ou secundária.
Passou a ser uma extensão directa da política externa. Num mundo dominado por percepções, redes sociais e opinião pública global, o país que comunica melhor tende a conquistar mais respeito, mais parcerias e maior legitimidade internacional.
O principal desafio de Angola não é aumentar a visibilidade, mas sim transformar visibilidade em influência estratégica. Visibilidade sem direcção é apenas exposição. E exposição sem estratégia pode tornarse vulnerabilidade.
Angola tem condições para afirmar-se como um actor relevante na África Austral e no continente, mas para isso precisa de reforçar uma diplomacia moderna, estruturada e orientada por objectivos claros: atrair investimento, consolidar alianças regionais, projectar estabilidade e afirmar uma presença internacional baseada em resultados. Porque no século XXI, quem não controla a sua narrativa, torna-se personagem na narrativa dos outros.
Por: EDGAR LEANDRO








