Obviamente, as universidades surgiram, de facto, em conjunto com a sociedade, na óptica de sua dimensão política e social. O além do diploma é (deve ser), necessariamente, o seu papel incontornável. No entanto, com base no contexto social, qual tem sido o posiciona mento dos diplomados face à realidade? Vale lembrar que o momento actual exige das universidades (universitários) uma maior participação na vida social.
Desta for ma, capacitar cidadãos implica, portanto, reconhecer que o desenvolvimento académico deve andar de mãos dadas com o desenvolvi mento pessoal e social. Entrementes, como alguns dicionários registam, a universidade é uma instituição criada para educar para a vida e para uma profissão; o mesmo é dizer que está intimamente ligada com a educação e a sociedade.
Com efeito, as notas, os testes e os exames são necessários, mas não podem ser a única medida de avaliação de um estudante. É, com certeza, hoje em dia, necessária uma instituição de Ensino Superior que permanente mente desenvolva novos conhecimentos e saberes, ou seja, uma instituição em que a inovação e a produtividade sejam um requisito permanente. Embasando em Glat e Pletsch, as três dimensões constitutivas do papel da universidade são: ensino, pesquisa e extensão.
Entender estas três dimensões dentro da estrutura burocrática da universidade, efetivamente, parece ser necessário e fundamental para compreender os pontos de encontro, confronto e desencontro dessas funções, as quais constituem uma tarefa importante no contexto actual da universidade e, assim como, nas definições sobre o tipo de conhecimento e do profissional que a universidade deve preparar para a sociedade. Desta maneira, conceber o ensino sem a pesquisa e a pesquisa sem a extensão é, absolutamente, fragmentar um processo de construção e conferir apenas as partes
separadas e isoladas, que não dão conta de responder aos problemas emergentes da sociedade. Com certo pesar, nota-se que várias são as ameaças e oportunidades lançadas às universidades e estas para as transformarem em oportunidades necessitam, em primeiro lugar, de traçar um rumo, uma linha de orientação, evitando assim a dispersão de esforços e recursos, unindo todos os actores da vida da universidade, em torno dos mesmos objectivos integrados na sua missão.
Uma das melhores ferramentas, já testada em várias universidades pelo mundo é a planificação estratégica que consiste na metodologia de ensino-aprendizagem, gestão e no papel mais participativo do cidadão na região/país onde está inserido, como refere Sole Parellada. Ademais, o outro eixo constitutivo da universidade é a extensão, vinculada intimamente ao ensino e à pesquisa, porém, voltada diretamente para responder às de mandas da sociedade.
A extensão projecta-se como um processo de inserção social consciente da universidade que implica em uma retroalimentação mútua entre a produção de conhecimento aca démico e sua disseminação e concretização em práticas sociais. É na dimensão da extensão que se faz a tão necessária relação teoria-prá tica, que se manifesta em diversas formas: cursos, capacitações, seminários, consultorias, projectos aplicados e outros projectos desenvolvidos pela universidade em diferentes comunidades.
Portanto, é fundamental reconhecer que a essência do ensino universitário não se esgota nos conteúdos transmitidos pelos docentes, nem nos manuais, avaliações ou trabalhos académicos. Ca da vez mais, a aprendizagem que transforma acontece fora das salas de aula. É aí que os estudantes (universitários) aplicam, vivem e consolidam aquilo que aprendem, assim, eles devem ser a solução e não o problema.
Por: JOÃO BAPTISTA CUNHA
Simples de Papel, pseudônimo literário de João Baptista Cunha (Escritor, Professor, Licenciado no Ensino da Língua Portuguesa pelo ISCED-Huambo e Membro da Brigada Jovem de Literatura-Huambo)









