O que os novos conflitos internacionais nos dizem sobre os desafios da segurança estratégica de Angola? Num mundo marcado por uma crescente instabilidade geopolítica, os recentes conflitos no Médio Oriente têm surpreendido pelo nível de sofisticação tecnológica das armas que estão a ser utiliza das.
Aquilo que, há poucos anos, parecia pertencer apenas ao do mínio da ficção científica — drones altamente sofisticados, mísseis guiados de precisão, sistemas automatizados de ataque e até ar mas baseadas em feixes de energia dirigida — começa a surgir de for ma cada vez mais visível nos teatros reais de operações militares.
As guerras contemporâneas estão a revelar capacidades tecnológicas que poucos imaginavam já esta rem plenamente operacionais. Os campos de batalha demonstram que os Estados mais avançados dispõem hoje de sistemas capazes de atingir alvos com uma precisão extraordinária, muitas vezes a milhares de quilómetros de distância, recorrendo a drones, mísseis inteligentes e plataformas de ataque altamente integradas.
A evolução tecnológica da guerra já não se limita, porém, aos grandes teatros de conflito internacionais. Ainda esta semana registou se um ataque com recurso a drones na cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo, que provocou mortos e vários feridos entre civis e trabalhadores humanitários. As explosões atingiram zonas habitacionais da cidade, provocando pânico entre a população.
O episódio é particularmente inquietante não apenas pela violência do ataque, mas também pelo facto de demonstrar que o uso de drones armados já faz parte da realidade dos conflitos em África. A cidade de Goma situa-se a poucas centenas de quilómetros das fronteiras angolanas, numa região marcada por tensões militares persistentes. A presença deste tipo de tecnologia de guerra relativamente perto do nosso espaço
geográfico serve, inevitavelmente, como um sinal de alerta. Ela recorda que a transformação tecno lógica dos conflitos armados dei xou de ser um fenómeno distante observado apenas no Médio Oriente ou na Europa e começa, cada vez mais, a manifestar-se também no próprio continente africano. Estes conflitos funcionam, as sim, como um verdadeiro labora tório para compreender a natureza da guerra contemporânea.
Eles demonstram que a segurança dos Estados deixou de depender apenas da dimensão dos contingentes mi litares para exigir, cada vez mais, domínio tecnológico. Em Angola, este debate tem vindo a ganhar uma nova centralidade no espaço público.
O surgimento de conflitos de grande escala em diferentes regiões do mundo tem provocado uma mobilização crescente da opinião pública nacional em torno das questões de defesa e segurança. Muitos angolanos acompanham com atenção e preocupação a evolução destas tensões internacionais, interrogando-se sobre as possíveis repercussões que poderão ter — direta ou indiretamente — na vida interna do país e na estabilidade nacional.
Neste contexto, começa também a consolidar-se uma perceção mais ampla de que o investimento nas Forças Armadas Angolanas não deve ser visto apenas como uma despesa do Estado, mas como uma necessidade estratégica para garantir a soberania, a estabilidade e a capacidade de resposta do país perante os desafios da segurança contemporânea. É precisamente neste quadro que surgem algumas perguntas fundamentais sobre o estado atual da capacidade militar do país.
Estas questões não pretendem gerar alarmismo, mas antes estimular uma reflexão responsável sobre os desafios da guerra contemporânea e sobre o grau de autonomia estratégica do país.
Por: NUNO AGNELO







