Mojtaba Khamenei é filho de Ali Khamenei, líder supremo do Irão que morreu nos ataques de Sábado. O clérigo, de 56 anos, é apontado como o favorito a suceder ao pai. Mojtaba já foi, em tempos, criticado e especialistas dizem que é escolha “surpreendente”
Poucos dias depois do ataque dos EUA e Israel ao Irão, e da consequente morte do líder supremo, Ali Khamenei, a sucessão está à beira de ser anunciada. Pelo menos, foi essa a informação que três fontes iranianas explicaram ao jornal The New York Times, dando conta de Mojtaba Khamenei, filho do ayatollah que morreu, é o favorito à sucessão.
A decisão foi discutida, na Terça-feira, e o sucessor deverá ser anunciado ainda esta Quarta-feira. De acordo com a publicação norte-americana, apesar de Mojtaba Khamenei ser o nome ‘forte’ que terá saído da reunião de ontem, alguns clérigos não deixaram de mostrar algumas reservas em relação à escolha, dado que o podia expor ao perigo, nomeadamente em relação a Washington e Telavive.
Nem foi, no entanto, preciso que o filho do antigo líder supremo do Irão fosse anunciado como sucessor ao cargo para que Israel se pronunciasse sobre o assunto. Já essa Quarta-feira de manhã, o ministro da Defesa israelita deixou claro que “quem quer que o Irão escolha para ser o próximo líder supremo do país” vai ser um “alvo de eliminação.”
“Não interessa qual é o nome dele ou qual o sítio onde se vai esconder”, escreveu Israel Katz, dando conta de que vão continuar a atacar “com força, juntamente com os Estados Unidos.” Mas quem é Mojtaba Khamenei? Mojtaba Khamenei nasceu em 1969, em Mashhad, uma zona importante religiosa no Irão. O seu nascimento aconteceu uma década antes da Revolução Islâmica, em 1979. Khamenei, de 56 anos, é conhecido por ser próximo da Guarda Revolucionária, tendo servido na guerra entre o Iraque e o Irão, de 1980 a 1988.
No ano seguinte, o pai foi nomeado líder supremo do Irão. Mojtaba Khamenei estudou em Qom, numa das zonas mais religiosas do país e leccionou, tendo estabelecido relações com a liderança liderança religiosa.
A esposa de Mojtaba Khamenei, Zahra Adel, a mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, e um filho foram mortos nos ataques que também tiraram a vida ao seu pai.
Mas, de acordo com o que aponta o New York Times, ele não é uma figura conhecida do público, tendo um papel activo, mas nas ‘sombras’. Em 2005, após o conservador Mahmoud Ahmadinejad ser eleito como presidente, os reformistas acusaram Mojtaba Khamenei de trabalhar com líderes religiosos e a Guarda Revolucionária para garantir a vitória do candidato.
Mehdi Karroub, um dos iranianos que competia com Ahmadinejad para a presidência deixou críticas a Mojtaba Khamenei, acusando “o filho de um mestre” de interferir nas eleições. Na altura, Ali Khamenei saiu em defesa do filho, dizendo que Mojtaba era “um mestre por si só, não o filho de um mestre.”
Apontando como sucessor, mas depois “afastado”
Ainda em 2024, a Assembleia dos Peritos reuniu-se para planear a sucessão do ayatollah e, de acordo com o New York Times, Khamenei defendeu na altura que o filho deveria ser excluído desta disputa. Escreve a publicação que esta escolha pode causar desconforto no país, dado que a nomeação de Mojtaba Khamenei pode trazer lembranças do tempo anterior à Revolução Islâmica, onde a sucessão nos cargos de poder acontecia de pai para filho.
Mas, de acordo com alguns especialistas ouvidos pela publicação, nomear Mojtaba enviaria a mensagem de que aqueles que estão ligados à Guarda Revolucionária continuaram no poder, o que iria sugerir que a situação se manteria igual à que se tem verificado ultimamente (numa altura em que, antes dos ataques, o país estava a ser assolado por uma onda de protestos).
Vali Nasr, um especialista da Universidade Johns Hopkins, contou ao New York Times que, anteriormente, Mojtaba foi “apontado como sucessor, durante muito tempo”, mas que nos últimos dois anos essa situação foi colocado de parte: “Se for eleito, isso sugere que é uma ala muito mais dura da Guarda Revolucionária que está no comando do regime.”
Ainda de acordo com o New York Times, a Guarda Revolucionária pressionou a sua nomeação, argumentando que ele tinha as qualificações necessárias para conduzir o Irão neste momento de crise. “Mojtaba é a escolha mais sensata neste momento porque está intimamente familiarizado com a gestão e coordenação das questões de segurança e também militares”, disse Mehdi Rahmati, analista em Teerão, apontando: “Já es..








