Cerca de 325 mil ucranianos que regressaram a casa, depois de fugirem da guerra, podem ser novamente deslocados nos próximos meses devido aos ataques russos contínuos às infra-estruturas energéticas, alertou, ontem, a Organização Internacional para as Migrações (OIM)
Segundo a agência que integra o sistema da ONU, mais de um em cada três ucranianos considera mesmo voltar a mudar-se para o estrangeiro. Com as temperaturas de inverno a atingir os -20°C e os cortes de energia de emergência a persistirem em todo o país, estas intenções de sair do país refletem a tensão cumulativa da insegurança, das habitações danificadas e do acesso limitado à eletricidade e ao aquecimento, explicou a OIM.
“Após quatro anos de guerra [que se completam no dia 24], a resiliência por si só não é suficiente para sustentar as famílias durante mais um inverno de apagões e temperaturas gélidas”, afirmou a diretora-geral da agência da ONU, Amy Pope, num comunicado hoje divulgado. “Habitação segura, energia fiável e serviços essenciais não são luxos — são fundamentais para a segurança, sobrevivência e dignidade das pessoas”, sublinhou, referindo que “sem apoio contínuo, as interrupções no fornecimento de energia podem forçar as famílias a abandonar as suas casas mais uma vez e comprometer as conquistas obtidas com tanto esforço”.
Desde o início desta guerra, mais de 4,4 milhões de pessoas regressaram à Ucrânia, incluindo mais de um milhão de pessoas que estavam fora do país. No entanto, lembrou a OIM, nem todos os que atravessaram a fronteira de volta para a Ucrânia conseguiram regressar a casa, persistindo 372.000 pessoas ainda deslocadas internamente no país. De acordo com a agência das Nações Unidas para as Migrações, as neces- sidades relacionadas com o inverno são generalizadas.
“As famílias relatam uma escassez aguda de baterias portáteis, geradores e materiais para reparações nas suas casas”, avançou a OIM, esclarecendo que, em algumas regiões da linha da frente, 90% das necessidades não têm resposta. Segundo a organização, os ucranianos que regressaram recentemente foram particularmente afetados e registam “níveis elevados de sofrimento psicológico”, já que estavam “mais dependentes das respostas de emergência”.
Desde fevereiro de 2022, quando teve início a invasão em larga escala pela Rússia, a OIM já apoiou — direta ou indiretamente – 6,9 milhões de pessoas na Ucrânia e milhões em 11 países vizinhos, sublinhou a agência, que insta agora os governos de todo o mundo a dar mais ajuda. “Para evitar mais deslocações, a OIM pede à comunidade internacional para alargar a preparação para o inverno, as reparações em habitações, o apoio aos meios de subsistência e os serviços integrados de saúde mental e psicossocial, especialmente nas áreas da linha da frente”, referiu ainda a organização.









