O Kremlin admitiu ontem um problema de escassez de combustível na península ucraniana da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, onde a venda de gasolina foi restringida após ataques ucranianos à rede logística
“Os problemas actuais têm solução. São questões prioritárias. O Governo está a trabalhar a todos os níveis para resolver o problema”, declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, na habitual conferência de imprensa telefónica diária.
Em plena preparação da época turística, os postos de abastecimento da Crimeia começaram, desde Sexta-feira, a limitar a 20 litros por cliente a quantidade de combustível vendida, na sequência dos ataques ucranianos à estrada que liga o Norte da região, através de território ucraniano ocupado por Mos covo, à área russa de Rostov.
Entretanto, o governador da Cri meia, Serguei Aksionov, assegurou que a situação deverá estabilizar no prazo de 30 dias. No porto de Sebastopol, o raciona mento de gasolina de 92 e 95 octanas começou no Domingo através de cupões, anunciou o governador da cidade, Mikhail Razvozhaiev, devido a interrupções no abasteci mento que tiveram início na passa da Sexta-feira por “problemas logísticos”.
As restrições provocaram longas filas nos postos de combustível da região banhada pelos mares Negro e de Azov, tendo responsáveis políticos admitido que o combustível disponibilizado se esgotou em poucas horas no sábado.
Desde o meio-dia de hoje, muitos postos de abastecimento da península ficaram sem gasolina de 92 oc tanas, segundo meios de comunicação locais. As últimas restrições ao abasteci mento de combustível ocorreram há cerca de seis meses, quando as interrupções no fornecimento se prolongaram durante várias se manas.
Por isso, espera-se que os automobilistas actuem como em ocasiões anteriores, transportando combustível em recipientes nos seus veículos particulares a partir de regiões russas.
Estima-se que, em 2026, este tradicional destino de férias da antiga União Soviética receba até 7,5 milhões de turistas, sendo a acessibilidade e os transportes os principais desafios enfrentados pelos visitantes.
Perante a inexistência de ligações aéreas, a península encontra-se apenas ligada ao território russo através da ponte que a une, a leste, à Rússia, o que provoca frequentes congestionamentos, uma vez que a infra-estrutura foi já várias vezes alvo de ataques ucranianos.








