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Papa condena proibição da Igreja Ortodoxa

Jornal Opais por Jornal Opais
26 de Agosto, 2024
Em Mundo

O Papa Francisco condenou, ontem, a proibição da Igreja Ortodoxa ligada a Moscovo pelo governo de Kiev, após a promulgação de uma lei, no Sábado, pelo Presidente ucraniano. “Nas igrejas não se toca”, declarou Francisco no final da oração do Angelus, na praça de São Pedro, no Vaticano.

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“Ao pensar nas leis recentemente adoptadas na Ucrânia, temo pela liberdade daqueles que rezam”, disse Francisco, um dia depois de o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter promulgado uma lei que proíbe a Igreja Ortodoxa ligada a Moscovo.

“Quem ora verdadeiramente, ora sempre por todos. Nenhum mal se comete ao orar e se alguém cometer o mal contra o seu povo, será culpado disso, mas não pode ter cometido o mal ao orar”, declarou o Papa.

“Portanto, que seja permitido às pessoas rezarem naquela que consideram a sua igreja. Por favor, não permitam que alguma igreja cristã seja proibida directa ou indirectamente”, acrescentou.

Volodymyr Zelensky promulgou, no Sábado, a lei que proíbe a Igreja Ortodoxa ligada ao Patriarcado de Moscovo, que é acusada de ser influenciada pelo Kremlin.

A nova lei, denunciada pela Rússia como uma “perseguição”, foi promulgada no Dia da Independência da Ucrânia da União Soviética e dois anos e meio depois de a Rússia ter iniciado a invasão em território ucraniano.

Na Terça-feira, o Parlamento ucraniano adoptou o projecto de lei que prevê a proibição da Igreja Ortodoxa ligada ao Patriarcado de Moscovo. Nesse dia, o Patriarcado de Moscovo condenou a “proibição ilegal” na Ucrânia do ramo da Igreja Ortodoxa russa. Num discurso à nação, na noite de Quarta-feira, Zelensky disse que esta medida iria fortalecer a independência do país.

“Os ortodoxos ucranianos estão a dar um passo para se libertarem dos demónios de Moscovo”, afirmou. A Igreja visada por esta decisão foi em tempos a mais popular na Ucrânia, um país com uma grande maioria ortodoxa, mas que perdeu muitos seguidores nos últimos anos à medida que o sentimento nacional ucraniano ganhou popularidade face à Rússia.

Esse processo acelerou-se com a criação, em 2018, de uma Igreja Ortodoxa ucraniana independente de Moscovo [autorizada pelo Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I], e, ainda mais, após o início, em Fevereiro de 2022, da invasão russa da Ucrânia, abertamente apoiada pelo Patriarcado de Moscovo.

De acordo com meios de comunicação social ucranianos, a Igreja com ligações à Rússia ainda tem cerca de 9.000 paróquias na Ucrânia, em comparação com 8.000 a 9.000 paróquias da sua rival independente.

A Igreja Ortodoxa alvo desta proibição anunciou, em Maio de 2022, que estava a cortar todos os laços com o Patriarcado de Moscovo e acusou as autoridades ucranianas de perseguição. Contudo, o Governo ucraniano acredita que a instituição continua dependente da Rússia e vários dos seus dignitários estão a ser alvo de investigações criminais.

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