O Conselho de Segurança da ONU anunciou, ontem, sanções contra quatro comandantes paramilitares sudaneses por atrocidades cometidas durante a tomada, em Outubro, da cidade de AlFashir, no Darfur
Trata-se de oficiais das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) a quem a missão independente de investigação da ONU no Sudão acaba de imputar “actos de genocídio” durante o cerco e a tomada de AlFashir por estes paramilitares.
Estão visados Elfateh Abdullah Idris Adam, um general das RSF, Gedo Hamdane Ahmed Mohamed e Tijani Ibrahim Moussa Mohamed, comandantes de unidades durante a queda da cidade, e Abdelrahim Hamdane Daglo, irmão do líder das RSF. Desde Abril de 2023, a guerra entre as RSF e o exército regular sudanês causou dezenas de milhares de mortos, provocando, segundo a ONU, a “pior crise humanitária do mundo”.
As RSF sitiaram durante 18 meses Al-Fashir, a última grande cidade do Darfur que ainda escapava ao seu controlo, antes de cair nas suas mãos em Outubro passado. Esta ofensiva deu origem, segundo a missão da ONU, a “três dias de horror absoluto”, marcados por execuções sumárias, violência sexual sistemática e detenções em massa, visando principalmente a população zaghawa, uma comunidade não árabe.
O irmão do líder das RSF aparece em imagens a dar “ordens directas aos seus combatentes para não fazer prisioneiros, mas matar toda a gente”, precisa o Conselho de Segurança. Este oficial já está sujeito a sanções dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia. Os outros três oficiais foram alvo na semana passada de sanções, por Washington, pelo seu papel nos “assassinatos étnicos, tortura (…) e violência sexual” cometidos em Al-Fashir.
Elfateh Abdullah Idris Adam, conhecido como Abou Loulou, chegou a “filmar-se a sorrir e a matar pessoas que imploravam pela sua clemência” e aparece “em vídeos onde executa alvos de grupos étnicos”, segundo o Conselho de Segurança.
Após a guerra no Darfur, no início dos anos 2000, durante a qual as milícias Janjawid – enviadas por Cartum e de onde derivam as RSF – cometeram atrocidades semelhantes, o Conselho de Segurança instituiu, em 2005, um regime de sanções direccionado ao Sudão. Este inclui um embargo às entregas de armas e sanções individuais, como o congelamento de bens e a proibição de viajar para o estrangeiro.








