O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou ontem como “corajosa” a decisão de liquidar total e antecipada mente a dívida de 630 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), garantindo que demonstra a “responsabilidade” Moçambique
Ao intervir na abertura da Quinta sessão ordinária do Comité Central da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), partido a que preside, Daniel Chapo confirmou que o pagamento “antecipado” e “na totalidade” foi feito recorrendo às reservas internacionais moçambicanas.
“Esta corajosa decisão deve ser vista de forma positiva e estratégica, como um sinal inequívoco da responsabilidade macroeconómica e do reforço da estabilidade internacional de Moçambique. E porque, igualmente, a dignidade de um povo não tem preço”, disse Chapo.
“Por isso, continuaremos a adotarmedidas que estimulem a produção interna, a atração de mais investimentos, através do fortalecimento de um ambiente de negócios mais favorável e uma economia cada vez mais competitiva”, acrescentou, insistindo na disponibilidade para um novo programa de apoio do FMI, em negociação desde 2025.
“Reafirmamos a nossa abertura para o reforço da parceria estratégica com o FMI e outros parceiros bilaterais e multilaterais na base mutuamente vantajosa e de respeito recíproco entre as partes”, disse ainda.
A Lusa noticiou esta semana que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) moçambicanas dispararam em fevereiro, para um novo recorde, de 4.258 milhões de dólares (3.862 milhões de euros), antes de o Governo as usar, em março, para liquidar a dívida ao FMI.
Estas reservas – divisas, em moeda estrangeira, necessárias à importação de bens e serviços – tinham subido 1% durante o mês de setembro, segundo dados um relatório estatístico do Ban co Moçambique a que a Lusa teve acesso, para 3.937 milhões de dólares (3.409 milhões de euros), tal como em outubro, após o máximo anterior, de 4.035 milhões de dólares (3.494 milhões de euros), em agosto.
De dezembro para janeiro subiram mais quase 1%, conforme o histórico do relatório, garantindo mais de quatro meses de necessidades de importações de bens e serviços, e novamente em fevereiro, para um novo máximo.









