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Kim Jong-un e Xi Jinping reúnem-se pela primeira vez

Jornal OpaisPor Jornal Opais
29 de Março, 2018
Em Mundo
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Tempo de Leitura: 4 mins de leitura

Na sua primeira visita ao estrangeiro desde que lidera a Coreia do Norte, Kim Jongun reuniu-se de surpresa com Xi Jinping em Pequim. Ambos falaram de “desnuclearização”, mas com condições.

Os chefes de Estado da China e da Coreia do Norte, Xi Jinping e Kim Jong-un, respectivamente, estiveram juntos Terça-feira em território chinês, num encontro onde o ditador norte-coreano voltou a pedir condições para a desnuclearização do seu país. Este encontro-surpresa pode significar o degelo das relações entre a Coreia do Norte e a China, que atingiram um ponto baixo com a aplicação de sanções de Pequim ao regime da Coreia do Norte. “A questão da desnuclearização da península coreana pode ser resolvida se a Coreia do Sul e os EUA responderem aos nossos esforços com boa vontade e criarem uma atmosfera de paz e estabilidade ao mesmo tempo que são aprovadas medidas progressivas e coordenadas para efectivar a paz”, disse Kim Jong-un, durante a reunião, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

“A nossa posição é de compromisso com a desnuclearização da península, de acordo com a vontade do falecido Presidente Kim Il Sung e do falecido secretário- geral Kim Jong Il”, disse ainda o ditador norte-coreano, referindo os nomes do seu avô e do seu pai, que, apesar da ideia referida por Kim Jong-un, ao longo dos seus mandatos ajudaram a criar e a desenvolver o programa nuclear norte-coreano. A visita de Kim Jong-un foi envolta de grande mistério, tendo chamado à atenção a imprensa internacional apenas na Terça-feira, 27, após um elevado número de movimentações na fronteira entre os dois países. Só nesta quarta-feira, com a publicação da notícia da Xinhua, que funciona como veículo da propaganda chinesa, é que se ficaram a conhecer os pormenores desta visita. Segundo aquela agência, Kim Jong-un esteve na China entre Domingo e esta Quarta- feira, após ter recebido um convite para uma visita não-oficial.

Esta foi a primeira visita de Kim Jong-un a um país estrangeiro desde que sucedeu ao seu pai, em Dezembro de 2011. Na Coreia do Norte, a notícia do encontro entre os dois líderes foi dada pela pivô de informação Ri Chun Hee, antiga apresentadora de telejornais que agora só vai para o ar para narrar notícias de grande importância. Segundo o NK News, o telejornal da Coreia do Norte incluiu uma descrição detalhada da viagem de Kim Jong-un à China, feita ao longo de quase 10 minutos. O encontro entre os dois líderes foi descrito como uma “visita histórica”. Informações e privacidade no Twitter Ads

Depois do desaire, o padrinho volta a aproximar-se do afilhado

Apesar de ser o maior aliado da Coreia do Norte na região e no mundo, ao longo do ano de 2017 a China afastou-se gradualmente do regime de Pyongyang à medida que este ensaiou o lançamento de vários mísseis balísticos ao mesmo tempo que endereçava ameaças aos seus três maiores rivais: a Coreia do Sul, o Japão e os EUA. Xi Jinping acabou por apoiar, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a aplicação de sanções à Coreia do Norte — um gesto significativo uma vez que 90% das trocas comerciais da Pyongyang são com a China, mesmo que mitigado pela mercado negro entre os dois países. O início do degelo entre a China e a Coreia do Norte é agora um cenário consumado por Xi Jinping, depois de Kim Jong-un ter acordado participar numa cimeira com a Coreia do Sul em abril e noutra, em maio, com os EUA, intenção que voltou a confirmar agora em Pequim.

Ao aceitar reunir-se com o ditador norte-coreano, o Presidente da China também dá uma prova de apoio a Pyongyang à medida que as cimeiras com aqueles dois países se aproximam. Tanto nesta ocasião, como noutras mais recentes, Kim Jong-un referiu-se à desnuclearização como sendo da “península coreana” e não apenas da Coreia do Norte — ou seja, também a Coreia do Sul teria de abdicar do seu programa nuclear e os EUA teriam de evitar o destacamento de armas daquele tipo para a região. Desta vez, Xi Jinping juntou-se ao seu homólogo norte-coreano, referindo-se sempre à “desnuclearização” como sendo um objetivo para toda a “península coreana”.

No encontro entre os dois líderes, o Presidente da China fez uma série de propostas a Kim Jong-un para melhorar as relações bilaterais. Uma delas é, “sob as novas circunstâncias”, a manutenção de “contactos frequentes” entre os dois líderes. Outra é a garantia de paz na península coreana. “Estamos prontos a fazer um esforço conjunto com o lado da Coreia do Norte, conformando-nos às tendências dos nossos tempos, erguendo alto a bandeira da paz, do desenvolvimento, da cooperação e do benefício mútuo, continuamente melhorando a vida dos dois povos, contribuindo positivamente para a paz, estabilidade e desenvolvimento da região”, propôs Xi Jinpping. Mais à frente, sem uma citação directa, a Xinhua refere ainda que o Presidente chinês sublinhou o compromisso da China com o “objectivo da desnuclearização da península”.

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