A 5 de Iyar no calendário hebraico, data que neste ano coincide com esta quarta-feira, 22 de abril de 2026, o Estado de Israel comemora o seu 78º aniversário de restauração da soberania judaica na terra ancestral
A data remete ao entardecer de 14 de Maio de 1948 (5 de Iyar de 5708), quando David Ben-Gurion leu a histórica Declaração de Independência no salão do Museu de Tel Aviv, instantes antes do término do Mandato Britânico na Palestina. O texto fundador, que estabeleceu o moderno Estado de Israel, ecoa como força renovada nas celebrações deste ano.
A declaração não apenas formalizou o restabelecimento do “Lar Nacional Judeu”, como também delineou a essência espiritual e diplomática da nova nação. O documento recorda a expulsão forçada do povo judeu da sua terra, a persistência da fé durante a diáspora e o impacto do Holocausto (Shoá) como uma “clara demonstração da urgência” de um abrigo seguro.
“A terra de Israel é o local de origem do povo judeu. Aqui a sua identidade espiritual, política e religiosa foi moldada… Depois de serem forçosamente exilados da sua terra, o povo conservou consigo sua fé durante sua dispersão e nunca deixou de rezar e sonhar com o retorno”, diz o texto.
Aos 78 anos, Israel contrasta radicalmente com a descrição do território encontrado pelos pioneiros mencionados no texto de 1948. O país, que na época contava com pouco mais de 800 mil habitantes, é hoje uma potência tecnológica, militar e cultural com quase 10 milhões de cidadãos.
Da “Terra que mana leite e mel” ao “Start-up Nation”
O texto da Declaração de Independência destaca o trabalho dos pioneiros que “fizeram desertos florescerem, reavivaram a língua hebraica e construíram vilarejos”. Nas comemorações deste ano, várias cerimónias oficiais, como no Monte Herzl, em Jerusalém, e festas populares por todo o país celebram justamente esta transformação.
No entanto, o aniversário acontece também em meio à complexa realidade geopolítica no Médio Oriente e às tensões internas sobre o caráter do Estado. A Declaração de 1948 prometia que Israel seria “baseado na liberdade, justiça e paz como imaginado pelos profetas de Israel”, garantindo completa igualdade de direitos a “todos os seus habitantes”.
Um apelo ainda em aberto
Apesar do reconhecimento internacional obtido inicialmente pela Resolução 181 da ONU — mencionada como “irrevogável” no documento de 1948 —, o apelo feito naquela noite de Shabat aos “habitantes árabes do Estado de Israel para manter a paz” e a “oferta de paz e boa vizinhança” aos países vizinhos continuam como capítulos importantes e inconclusos da história israelita.
“O Estado de Israel está preparado para fazer a sua parte num esforço comum para o desenvolvimento de todo o Médio Oriente.”
As festividades do Yom Ha’atzmaut (Dia da Independência) tiveram início esta na segunda-feira com o acender de tochas e a transição do luto do Yom HaZikaron (Dia da Memória dos Soldados e Vítimas do Terror) para a alegria da soberania reconquistada.









