O líder do grupo radical xiita Hezbollah, Naim Qassem, reiterou ontem que rejeita as negociações directas entre Beirute e Israel, classificando-as como um “erro perigoso” que pode levar o Líbano a um “ciclo de instabilidade”
“Recusamos categoricamente negociar directamente com Israel”, disse Qassem num comunicado, sublinhando que é da responsabilidade do Governo libanês evitar um “erro perigoso que mergulhará” o país “num ciclo de instabilidade”.
As declarações do responsável do Hezbollah foram lidas no canal de televisão Al-Manar, com ligações ao movimento pró-Irão. Israel e Líbano já realizaram duas rondas de negociações entre embaixadores, sob mediação norte americana em Washington.
A 02 de Março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de Fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o Hezbollah efetuou um ataque com morteiros a Israel, que a partir de então bombardeou intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com uma ofensiva terrestre, com artilharia e blindados.
Estas negociações resultaram, inicialmente, no anúncio de um cessar-fogo de dez dias por par te do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que entrou em vigor em 17 de Abril e foi posteriormente prolongado por três semanas após a segunda ronda de discussões.
“Estas negociações e os seus resultados inexistentes não nos dizem minimamente respeito”, declarou Naim Qassem, acres centando que o grupo xiita irá prosseguir com “a resistência para defender o Líbano” e que não recua “perante as ameaças israelitas”.
“Não entregaremos as nossas armas (…) e o inimigo israelita não permanecerá em nenhuma parte do nosso território ocupado”, prosseguiu. As autoridades libanesas afirmam que o objetivo das negociações é pôr fim à guerra, garantir a retirada de Israel do sul do Líbano e permitir o regresso dos deslocados internos às respetivas casas, cujo número está estimado em mais de um milhão.









