Ataques aéreos dos EUA e de Israel mataram o aiatolá Ali Khamenei em Teerão, levando o Irão a decretar 40 dias de luto e prometer uma retaliação sem precedentes. A morte do líder supremo aprofunda a crise regional e eleva o risco de uma escalada militar difícil de controlar
O abalo profundo, causado pela morte do aiatolá Ali Khamenei no Irão, promete uma retaliação devastadora pelas Forças Armadas iranianas, segundo análise de especialistas ouvidos pelo Global Times.
A liderança iraniana confirmou que o ataque ocorreu enquanto Khamenei trabalhava no seu gabinete, e imagens de satélite já haviam mostrado danos significativos ao complexo da Casa da Liderança em Teerão. Especialistas ouvidos pela mídia asiática afirmam que, embora o impacto político e simbólico seja enorme, o regime não deve colapsar, porque possui instituições e mecanismos de sucessão já estruturados.
O maior risco, segundo analistas chineses, está na resposta iraniana, que pode desencadear uma escalada difícil de controlar por parte dos EUA, aprofundando a desconfiança global em relação a Washington.
Relatos indicam que Khamenei havia reunido pouco antes dos ataques com altos membros do Conselho Supremo de Segurança Nacional num local seguro. A confirmação da sua morte veio após declarações do presidente norte-americano Donald Trump e de fontes israelitas, que afirmaram que o corpo do líder foi encontrado após a operação conjunta.
O governo iraniano decretou sete dias de feriado nacional e o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irão (IRGC, na sigla em inglês) lamentou a perda do líder, prometendo vingança contra os responsáveis, especialmente contra territórios ocupados por bases norte-americanas, elevando o risco de uma guerra regional ainda mais ampla.
Ainda de acordo com a mídia, analistas afirmam que a morte do líder iraniano representa um golpe severo à estabilidade do país, mas não necessariamente ao funcionamento do Estado, que possui estruturas preparadas para uma transição, destacando que a sucessão deve ser conduzida pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário e por um jurista do Conselho dos Guardiões.
Nos EUA, avaliações da CIA indicavam que, mesmo com a morte de Khamenei, o poder poderia ser assumido por figuras linhadura do IRGC, o que limitaria a capacidade de Washington de influenciar o futuro político iraniano. O governo Trump, apesar de autorizar operações militares, tem evitado o envio de tropas terrestres.
A ofensiva dos EUA e de Israel desencadeou ataques contra bases norte-americanas em países como Emirados Árabes Unidos, Qatar e Bahrein, aumentando a tensão regional. Especialistas alertam que, se a retaliação iraniana causar danos significativos, os EUA enfrentarão um teste estratégico complexo. Trump pode tentar manter uma estratégia de “escalada controlada”, buscando pressionar o Irão sem se envolver numa guerra prolongada.
No entanto, permanece incerto se os EUA conseguirão controlar o ritmo e a intensidade do conflito após a morte do líder supremo iraniano. Khamenei liderava o Irão desde 1989 e foi responsável por moldar o aparato militar e paramilitar que ampliou a influência do país no Oriente Médio.
A sua trajetória inclui uma tentativa de assassinato em 1981 e a presidência durante a guerra IrãoIraque, período que consolidou a sua profunda desconfiança em relação aos EUA e ao Ocidente.








