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As duas Coreias comprometem-se com a paz durante cúpula histórica

Jornal OpaisPor Jornal Opais
28 de Abril, 2018
Em Mundo
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Tempo de Leitura: 4 mins de leitura

O líder norte-coreano, Kim Jong Un, e o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, estabeleceram esta Sexta-feira (27) um compromisso em relação a desnuclearização e o não regresso à guerra na península, após uma cimeira na Zona Desmilitarizada que ficará para a história.

Após um aperto de mão muito simbólico na fronteira, Kim Jong Un afirmou que a Coreia está “no limiar de uma nova história”. Primeiro líder norte-coreano a pisar solo sul-coreano desde a guerra (1950-1953), demonstrou- se emocionado ao cruzar a barreira de cimento de alguns centímetros de altura que demarca a fronteira na cidade de Panmunjom. “Os dois líderes declaram solenemente, diante 80 milhões de coreanos e do mundo inteiro, que não haverá mais guerra na península coreana e que, em consequência, uma nova era de paz começou”, afirma a “Declaração de Panmunjom” publicada após o encontro.

“Coreia do Sul e Coreia do Norte confirmam o objectivo comum de obter, por meio de uma desnuclearização total, uma península coreana não nuclear”, acrescenta a o comunicado conjunto. Após a assinatura do texto, Kim e Moon trocaram um abraço, no final de um dia de demonstrações de amizade entre os dois homens que no final da tarde partilharam um banquete em companhia das respectivas esposas. Os dois vizinhos indicaram que vão tentar encontrar os Estados Unidos, talvez também a China, “visando declarar o fim da guerra e estabelecer um regime de paz permanente e sólido” na península. Sem tratado, os dois países continuam tecnicamente em guerra.

Nova cimeira

Esta cúpula, prelúdio de um encontro muito esperado entre Kim e o Presidente americano Donald Trump, foi elogiada pelo mundo fora. Trump saudou a cimeira, ressaltando contudo, que “o tempo dirá” se os resultados foram bons. “Após um ano furioso, marcado por lançamentos de mísseis e testes nucleares, acontece um histórico encontro entre as Coreias do Norte e do Sul”, escreveu Trump. “Estão a acontecer coisas boas, mas apenas o tempo dirá”, suavizou. Por sua vez, a China ressaltou a “coragem” de Kim e Moon, enquanto o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe evocou “um passo positivo para a resolução de uma série de questões envolvendo a Coreia do Norte”.

O Kremlin comemorou “novidades muito positivas”. As duas Coreias assumiram uma coordenação estreita para que “não se repita a história infeliz que viu os acordos inter- coreanos anteriores darem em nada”, afirmou Kim Jong Un, cujo comportamento foi observado com atenção pelo mundo inteiro. “Pode haver contra-golpes, dificuldades e frustrações no caminho, mas não se pode alcançar a vitória sem dor”, completou Kim. Norte e Sul decidiram que Moon regressará a Pyongyang no Outono para a quarta cimeira inter- coreana. A reunião de ontem também abordou a questão das famílias separadas pela guerra. Os dois países “decidiram continuar com o programa de reunião de famílias separadas por ocasião do Dia de Libertação Nacional, em 15 de Agosto deste ano”, quando é celebrada a rendição do Japão no final da Segunda Guerra Mundial.

Moon brevemente no Norte

A Coreia do Norte registrou um rápido avanço no programa nuclear e balístico sob o mandato de Kim, que herdou o poder em 2011, após a morte do seu pai. Em 2017, Pyongyang realizou o teste nuclear mais potente da sua história e lançou mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) com capacidade para atingir o território dos Estados Unidos. A tensão conheceu níveis muito elevados, enquanto Kim e Trump trocaram ameaças apocalípticas e insultos pessoais. Moon aproveitou os Jogos Olímpicos de Inverno para lançar o diálogo com Pyongyang, explicando que a cúpula inter-coreana serviria de base para a reunião entre o Norte e Washington. Trump exigiu que o Norte renuncie às armas nucleares e que a desnuclearização seja absoluta, verificável e irreversível. Esta Sexta-feira, num primeiro gesto de plena descontração, a convite de Kim, Moon cruzou rapidamente a fronteira e pisou a margem norte-coreana. Os dois homólogos, a pé, fizeram o percurso até a Casa da Paz, estrutura de vidro e betão situada na parte Sul de Panmunjom, onde foi assinado o armistício.

Pinheiro de 65 anos

“Eu vim aqui determinado a dar um sinal de partida, no limiar de uma nova história”, declarou Kim. O líder nortecoreano estava acompanhado por Kim Yo Jong, sua irmã e conselheira próxima, bem como pelo seu chefe de relações inter-coreanas. Moon viajou com o chefe da inteligência sul-coreana e o seu diretor de gabinete. No passado, o conceito de “desnuclearização da península” significava para Pyongyang a partida dos 28.500 militares americanos estacionados no Sul e a retirada do guarda-chuva nuclear americano, algo impensável para Washington. Kim anunciou recentemente uma moratória sobre os testes nucleares e disparos de mísseis balísticos de longo alcance, afirmando que as suas metas haviam sido alcançadas.

Também anunciou o encerramento do único local de testes nucleares norte-coreano conhecido. Entretanto, alguns especialistas suspeitam que o último teste, realizado em Setembro, terá inutilizado as instalações. Kim e Moon também “plantaram” simbolicamente uma árvore junto à Linha de Demarcação Militar. Por seu turno, ambos lançaram algumas pás de terra sob um pinheiro de 65 anos, tal como aconteceu no armistício. Em seguida, Moon regou a árvore com água do rio norte-coreano Taedong, enquanto Kim fez o mesmo, mas com água do rio sulcoreano Han. As duas primeiras cúpulas inter- coreanas, em 2000 e 2007 aconteceram em Pyongyang.

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