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Dez dias de um Sambizanga sem o som do apito nas ruas

Jaime Tabo por Jaime Tabo
15 de Dezembro, 2023
Em Manchete

Populares descreveram os primeiros dez dias depois do anúncio da extinção da Turma do Apito, no distrito urbano do Sambizanga, pela Polícia Nacional de Angola (PNA), na passada Segunda-feira, 4 de Dezembro. Os episódios são de assaltos às pessoas na via pública, cantinas e residências

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Faltaram apenas choros entre os residentes daquele distrito. Abatidos e tristes, os rostos das testemunhas da segurança alcançada com a vigência da ora extinta Turma do Apito, naquela parte do município de Luanda, espelham alguma nostalgia.

O sentimento fica mais expresso quando se ouvem desabafos de novas vítimas de criminosos. A leitura da expressão facial não está errada, pois os próprios entrevistados revelam o sentimento que carregam no íntimo: “estamos tristes e com sensação de saudade do trabalho da Turma do Apito”, disseram, justificando com o ressurgimento de histórias de assaltos e de lutas entre gangues, no bairro.

Os moradores acreditam que os feitos do soar do apito eram verdadeiros actos milagrosos. Ao som do instrumento de sopro, marginais foram capturados, bens recuperados e os implicados responsabilizados.

A criminalidade reduziu consideravelmente, no Sambizanga, facto que consideraram um milagre.

Porém, para lá começam a ficar os melhores dias em termos de segurança naquele distrito.

A causa é a extinção da Turma do Apito, segundo o munícipe José Rodrigues, residente há 19 anos, que se diz testemunha de novos assaltos na conhecida zona da Mulembeira.

Os crimes controlados pelos homens do apito estão a ressurgir sem, no entanto, a Polícia mostrarse com capacidade para dar resposta, uma vez que, acrescentou, esta garante a segurança até perto das 21 horas, deixando a população vulnerável ante os marginais que deram inicio às suas práticas delituosas.

“Nós estamos preocupados. Não sabemos o que será do nosso bairro daqui para frente.

Desde a extinção da Turma do Apito, já se está a ouvir de roubos e lutas de jovens, no bairro.

A Turma do Apito já não pode resolver, porque está afastada”, avançou. Deixou a casa às primeiras horas do dia para realizar exercícios físicos.

Mas, ao meio do seu percurso, deparou-se com imagens que já estavam fuscas na sua memória: “encontrei uma cantina arrombada às 5 horas, ali atrás, no Pereira”, começou a descrever os contornos difíceis do fim da Turma do Apito. Seu nome é Roque Alberto.

O cidadão que vive há 47 anos, no Sambizanga, contou que o estabelecimento comercial foi assaltado.

Levaram do espaço litros de óleo alimentar e outras mercadorias que preenchiam as prateleiras. “Assaltaram na normalidade.

A cantina ficou muito tempo e nunca foi assaltada”, lamentou o morador, referindo que existem novos casos de roubos e furtos no Mercado da Pombinha.

Mulheres têmem novos casos de violência doméstica

A criação da Turma do Apito teve implicações na redução significativa de casos de violência doméstica.

O facto deveu-se à intervenção da organização em situações nas quais mulheres eram espancadas pelos maridos, aplicando determinados castigos que não permitiam os cidadãos a tornarem-se reincidentes.

“Quando um homem bate a sua mulher e esta vai dar queixa, têm a tendência de bater o homem. Isso está certo, porque no Sambizanga tem homens que batem violentamente as suas mulheres. A Turma do Apito diminuiu muito a violência doméstica.

Agora, se a Turma do Apito acabar, os homens vão vingar-se de nós”, disse Antonica Fernando Eugénia Miguel vive há 46 anos no Sambizanga.

É das muitas mulheres que não aceitam o fim da Turma do Apito, por considerar importante a actividade que esta realizava, na garantia da segurança das populações.

Para a munícipe, a extinção do grupo está a provocar o aparecimento de marginais e a realização de roubos de roupas, inclusive, no estendal.

“Estão a roubar as banheiras para irem pesar, pratos no quintal. Até a roupa que está no fio, mesmo se não tiver seca, estão a levar.

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