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João Diogo Gaspar:”estamos a negociar com indianos que pretendem investir do cultivo à industrialização do arroz”

Paulo Sérgiopor Paulo Sérgio
17 de Janeiro, 2025
Em Entrevista
João Diogo Gaspar:”estamos a negociar com indianos que pretendem investir do cultivo à industrialização do arroz”

Os desafios actuais e a esperança que renasce no seio dos habitantes do Cuanza- Norte, bem como os níveis de execução das obras de reabilitação das estradas e as estratégias para combater o desemprego, são alguns dos temas que dominaram a conversa que o jornal OPAÍS manteve com João Diogo Gaspar, governador local. O estado das fazendas do planalto de Camabatela e os programas em curso para resolverem problemas como a falta de habitação e déficit no fornecimento de água potável não ficaram de fora

O senhor Governador está à frente da província do Cuanza-Norte desde Janeiro do ano passado, ou seja, há um ano. Que balanço faz do trabalho realizado durante este período?

Muito obrigado, permitam-me primeiro manifestar o meu pro- fundo agradecimento por esta oportunidade que muito nos agrada porque permite partilhar com os leitores a nossa visão sobre os desafios que se colocam actualmente na província do Cuanza Norte.

Ora bem, respondendo directamente à pergunta que me faz, o que podemos dizer, em primeiro lugar, é que o Cuanza Norte vive hoje uma nova era da sua história marcada pela vontade inabalável da população local em contribuir todos os dias para o desenvolvimento da província. Esta é seguramente a principal mudança que podemos assinalar nestes doze meses em funções.

Só por este motivo podemos dizer que o balanço do primeiro ano à frente dos destinos da província é claramente positivo e gratificante pela forma como temos sido acarinhados pelo povo que continua a incentivar-nos a continuar com o nosso trabalho em prol do desenvolvimento inclusivo e sustentável desta terra com grandes potencialidades económicas.

O Cuanza-Norte sempre foi uma zona agrícola, mas devido aos efeitos da guerra, este potencial ficou reduzido. Como se encontra, hoje, a província em relação a este domínio, sobretudo no que diz respeito à produção de café e cacau?

Começo por responder esta pergunta com os números que descrevem a presente campanha agrícola na província, onde estão preparados mais de noventa e dois mil hectares que poderão permitir a produção de oitocentas mil toneladas para produtos diversos.

Estão satisfeitos com esta cifra?

Não porque, como bem disse, o Cuanza-Norte é das províncias com maiores potencialidades agrícolas do país quer em termos de condições climatéricas, disponibilidade de terras aráveis e vários cursos de água em toda a extensão do nosso território. Ainda assim, já nos damos por satisfeitos pelo trabalho que temos realizado em conjunto com os operadores do sector para o aumento da produção no âmbito do processo de diversificação da nossa economia. Saudamos ainda o engajamento das famílias camponesas que constituem a maior força de trabalho na agricultura nacional, produzindo grande parte dos produtos que chegam aos grandes centros de consumo e, por esta via, à mesa dos cidadãos. Estamos conscientes das várias dificuldades que os nossos produtores enfrentam, por isso continuaremos a investir no processo de mecanização da nossa agricultura, na melhoria das vias de comunicação para a facilitação do escoamento dos produtos e na disponibilização de inputs agrícolas.

Ainda não respondeu em relação à produção do café e do cacau, que são das commodities mais procuradas a nível internacional…

Quanto à produção do café e do cacau e também dos palmares, o que podemos dizer é que estamos apostados no relançamento destas culturas que caracterizam a província do Cuanza Norte. Os números alcançados actualmente já nos permitem antever uma produção em grande escala nos próximos anos. Quero ainda sublinhar que o Cuanza Norte é também das poucas províncias do país com condições climáticas que permitem o cultivo ininterrupto do arroz e trigo ao longo de todo o ano. Ainda no sector agrícola, destacamos a reactivação do perímetro irrigado do Mucoso, no município de Cambambe, depois de vários anos paralisado, do mesmo modo, projectamos também a recuperação do perímetro irrigado do Luinga que se encontra em fase de estudo e avaliação, mas também com muitos bons indicadores.

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