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Produção de alimento no Dombe-Grande “ensombrada” com roubos de mangas de irrigação

Agricultores, no perímetro irrigado do Dombe-Grande, em Benguela, queixam-se de roubos de mangas de irrigação, para a qual dizem ter investido avultadas somas em dinheiro. O facto já é de domínio da Polícia Nacional, que admite ter detido alguns cidadãos

Jornal Opais por Jornal Opais
22 de Julho, 2024
Em Destaque

Segundo os agricultores, os prejuízos estão acima de 80 milhões de kwanzas, e apontam a morte de algumas culturas por “estresse hídrico”.

Sustentam que, nos últimos tempos, o roubo de mangas de irrigação está bastante acentuado no Dombe-Grande e, por conta disso, acusam a Polícia Nacional de ineficácia no combate a esses crimes.

O roubo obriga a que os agricultores optem pelo sistema de inundação de valas, que chega a ser mais oneroso. A água é um dos recursos de que o Dombe-Grande dispõe em demasia, mas, do rio Coporolo aos campos de produção, há que fazer alguns investimentos milionários.

Empresários, como António Noé, obrigam-se a investimentos de milhões na compra de mangas. São, justamente, esses instrumentos que têm sido o foco de muitos meliantes. “Nós, às vezes, damos de cara com as mangas na praça.

Outro dia, reconheci alguns que foram retirados da minha fazenda. Reportamos o caso à Polícia Nacional, o gatuno é preso, mas, vinte e horas depois, é solto, e volta a roubar”, reclama o agricultor António Figueiredo, para quem essa acção da PN propicia «justiça por mãos próprias».

Uma boa parte de agricultores no Dombe-Grande lançou à terra feijão, tomate, gindungo, milho e repolho. Em muitas fazendas onde a equipa de reportagem deste jornal esteve, as culturas apresentam cenário de seca, por falta de regularização no que à irrigação diz respeito.

“A vandalização do sistema de rega está a ser insuportável”, explica Anónio Noé, que se manifesta impotente face ao que, ultimamente, ocorre no Dombe-Grande.

O empresário dispõe de 70 hectares de terra cultivável, mas explora apenas 60, onde tem plantado tubérculo, leguminosas e grãos, sendo que, em relação a este último, o destaque recai para o feijão. Inicialmente, confrontou-se com um roubo que lhe causou prejuízo de 12 milhões de kwanzas.

Entretanto, convencendo-se de que não devia «chorar pelo leite derramado» e que a vida seguia para frente, puxou do bolso pouco mais de 80 milhões de kwanzas para a compra de sistemas de irrigação e insumos agrícolas e acabou por ter o mesmo fim.

Essa prática compromete 20 hectares de feijão, 14 de tomate, quatro de gindungo, dois de melancia e repolho. “Estamos a produzir de tudo um pouco.

Batata-doce também. Os danos podem rondar acima dos 80 milhões de kwanzas. A maior preocupação é o feijão e o tomate”, reclama, ao referir que, em princípio, as projecções iniciais, em termos de produção de tomate, cifradas em 160 toneladas do produto, estão comprometidas.

Despedimentos à vista

“Os custos são incalculáveis, nesse momento. Estamos a tentar salvar a cultura, mas não vamos a tempo. Desde a semana passada sem água, a planta está a entrar em estresse hídrico”, lamenta o produtor, que ameaça despedir funcionários caso o quadro se mantenha. Neste particular, ele teme que o bolso do consumidor final venha a ressentir.

Produtores acenam para a Polícia

Os meliantes têm, igualmente, «visitado» a fazenda de Silva Francisco “Canu”, que, neste momento, faz contas à vida, em virtude dos investimentos feitos no cultivo de feijão. Ele não se refere objectivamente a números, limitando-se a dizer que são incalculáveis.

Antes de os roubos terem acontecido, ele conseguia regar, em três dias, seis hectares. Hoje, o processo está bastante lento, comprometendo a vitalidade de plantas, sobretudo de feijão. “Por causa do processo de remoção das mangas.

O quê que eu faço? Rego e depois sou obrigado a remover as mangas do canto para guardar. Se eu deixar no campo, no dia seguinte já não encontro o material”, explica.

Em função disso, sugere proactividade por parte da Polícia Nacional para se inverter o quadro. A polícia Nacional diz estar ao corrente do que acontece no Dombe-Grande e diz que não está a dar tréguas a meliantes.

O porta-voz do Comando Provincial de Benguela, superintendente-chefe Ernesto Tchiwale, dá conta de uma operação desencadeada, recentemente, que resultou na detenção de cinco cidadãos e que as acções não ficam por aqui.

 

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

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