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OPaís

Preços sobem cada vez menos

Jornal Opais por Jornal Opais
17 de Março, 2018
Em Economia

Os preços subiram menos em Fevereiro que no primeiro mês do ano, apesar de o kwanza já ter desvalorizado cerca de 30% face ao euro, o que revela que, até agora, a política cambial não atrapalha o controlo da inflação

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POR: Luís Faria

A inflação voltou a descer em toda a linha, com a variação mensal dos preços a cair em Fevereiro face ao primeiro mês do ano. Em Janeiro, embora a inflação homóloga, que compara a evolução dos preços com a verificada em igual mês do ano anterior, tenha continuado a diminuir de ritmo, a variação mensal do nível de preços (1,47%), fora superior à apurada em Novembro e Dezembro. Isto significa que se, em confronto com o mesmo mês do ano anterior, o custo de vida aumentava menos, a intensidade da subida face a Dezembro indiciava que aumentava a pressão inflacionária, apontando o Relatório de Inflação publicado há uns dias pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para que, neste primeiro trimestre de 2018, a variação mensal da inflação se venha a situar no intervalo entre 3,82% a 5,70%.

Ora, o Instituto Nacional de Estatística (INE), na sua folha mensal sobre o Índice de Preços no Consumidor Nacional relativa a Fevereiro indica que a variação mensal dos preços em Fevereiro face a Janeiro foi de 1,26%, um valor que, desde o final de 2015, só foi superado em Novembro e Dezembro do último ano e que aponta para uma rota claramente descendente. A variação homóloga situou-se em 21,47%, que compara com o registo de 22,72% apurado em Janeiro e representa um decréscimo de 16,85 pontos percentuais com relação a observada em igual período do ano anterior. Os aumentos de preços no segundo mês do ano foram liderados pelas províncias da Cunene (2,95%), Lunda Norte (2,40%), Zaire (1,97%) e Lunda Sul (1,91%), enquanto as com menor variação foram Luanda (1,12%), Huíla (1,17%), Cuando Cubango (1,27%) e Benguela (1,39%). A classe ‘Bens e Serviços Diversos’, com 2,74%, foi a que registou o maior aumento de preços. Destacam-se também os aumentos dos preços verificados nas classes: ‘Saúde’, com 2,65%, ‘Transportes’, com 2,05% e ‘Vestuário e Calçado’ com 1,93%.

Culpados habituais

Os maiores ‘culpados’ pelo aumento dos preços são os habituais, atendendo ao seu peso no cabaz do INE. Assim, a classe ‘Alimentação e Bebidas não Alcoólicas’ foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, com 0,38 pontos percentuais durante o mês de Fevereiro, seguida das classes: ‘Bens e Serviços Diversos’ com 0,20 pontos percentuais, ‘Vestuário e Calçado’ e ‘Transportes’ com 0,14 pontos percentuais cada. As restantes classes tiveram taxas inferiores a 0,14 pontos percentuais. A inflação homóloga, que serve de referência à política monetária, situou-se em 23,36%, menos 1,79 pontos percentuais que em Janeiro e menos 16,09 pontos percentuais que a observada em igual período do ano anterior.

Os riscos

A desvalorização cambial é um dos riscos que afectam a evolução dos preços, de acordo com o BNA. Outro é o desequilíbrio no mercado de divisas, com a procura a continuar a superar largamente a oferta. Desde a introdução do novo regime cambial a 9 de Janeiro, o kwanza já depreciou quase 30% face ao euro e a expectativa é de que continue a depreciar. A diferença de cotação para o mercado informal vai-se estreitando e a autoridade monetária tem retirado moeda física de circulação para controlar a inflação. A evolução da inflação, em claro abrandamento, mostra, todavia, que a depreciação da moeda, tornando as importações mais caras e tendo em conta o seu peso sobre a classe que mais influencia o nível de preços (‘alimentação e bebidas’) que a depreciação da moeda não está a causar grande impacto no custo de vida.

A continuidade do programa de vendas dirigidas que distorce o funcionamento do mercado, a magnitude do ajustamento dos preços dos produtos administrados e o aumento dos impostos são outros dos riscos que, segundo o BNA, afectam o ritmo da subida dos preços. A taxa de inflação homóloga subiu entre Setembro de 2014 e Dezembro de 2016, quando ultrapassou 41%. No último ano voltou a descer gradualmente, com excepção do mês de Outubro, estando agora pouco acima de 21%. Após o ajustamento orçamental de 2015 e, posteriormente, a recuperação do preço do petróleo, a partir de 2016, a curva da inflação mudou de sentido em 2017, beneficiando da retracção da procura suscitada pela crise económica.

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