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Pequenos e médios operadores turísticos com oportunidade de expandir seus negócios, considera economista

Milton Manacapor Milton Manaca
17 de Fevereiro, 2025
Em Destaque, Economia
Pequenos e médios operadores turísticos com oportunidade de expandir seus negócios, considera economista

Os pequenos e médios operadores turísticos têm agora mais oportunidades de expandir os negócios, com a implementação do Regime Especial de Crédito à Construção de Empreendimentos Turísticos e Estabelecimentos de Restauração, do Aviso n.º 9/2024 do BNA, considera o economista Marlino Sambongue

A decisão do Banco Nacional de Angola (BNA) em conceder créditos com o tecto máximo de 200 milhões de kwanzas, recentemente publicada, é vista por Marlino Sambongue como uma medida que tem potencial para gerar impactos positivos na economia, e especialmente no sector do turismo.

Para além dos pequenos e médios operadores turísticos, o interlocutor entende que o acesso a crédito estará mais facilitado para este segmento, com taxas reduzidas até 10%, o que pode viabilizar a construção e reabilitação de empreendimentos turísticos e estabelecimentos de restauração.

A geração de empregos é outro benefício apontado por Marlino Sambongue, tanto directos, em hotéis, restaurantes e outros serviços, como indirectos, nas cadeias de suprimentos, transporte e comércio local.

O economista diz também que tal medida pode incentivar o empreendedorismo em áreas com potencial turístico, reduzindo a dependência de empregos públicos.

“Já vimos que sector público não pode ser gerador de emprego nas necessidades de que o país precisa”, sublinha. Todavia, chama atenção que a sua eficácia dependerá de factores como a procura real por financiamento, a capacidade dos operadores acessarem o crédito e as condições macroeconómicas do país.

“Neste sentido, é necessário simplificar o processo de acesso ao crédito para que seja efectivo e real”, disse, tendo acrescentado a melhoria das condições macroeconómicas, como, por exemplo, reduzir a taxa de inflação.

Aumento de 500 mil milhões Kz em receitas fiscais

Já Janisio Salomão, também economista, destaca, igualmente, os impactos no crescimento económico da medida, ao realçar que o turismo é um sector prioritário na estratégia de diversificação económica de Angola, sendo que o PIB não petrolífero teve um crescimento estimado de 3,5% em 2024, com previsão de atingir 3,8% em 2025, impulsionado por sectores como agricultura, comércio e serviços.

Lembra que a contribuição do turismo para o PIB, actualmente, representa cerca de 3%, mas há potencial de crescimento para 5% até 2030, conforme as metas de desenvolvimento do governo. “

Segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento, o turismo pode atingir uma taxa de crescimento anual de 6%, caso haja melhoria no acesso ao financiamento e infra-estrutura”, disse.

Sendo que o sector turístico movimenta uma cadeia de valor extensa, impactando outros sectores, Janisio Salomão entende que o efeito multiplicador do turismo pode gerar um impacto de até 1,8 vezes o investimento inicial, ou seja, para cada 1 Kz investido no sector, 1,8 Kz são movimentados na economia.

Na área fiscal e sustentabilidade das contas públicas, o economista acredita que o impacto será visível; a expansão do sector turístico pode fortalecer as receitas, ajudando na redução da dependência do petróleo, que ainda representa mais de 60% das receitas do OGE, com o IVA (14%) sobre serviços turísticos e de restauração, imposto industrial (25%) sobre os lucros das empresas do sector e impostos sobre salários gerados pelo aumento da empregabilidade.

“Se a expansão do turismo impulsionar um crescimento adicional de 1% no PIB, isso pode resultar num aumento de 500 mil milhões Kz em receitas fiscais anuais”, disse. Entretanto, prevê também desafios e riscos, apesar dos potenciais benefícios, sendo a primeira a burocracia no acesso ao crédito, com pequenos empreendedores a enfrentar dificuldades para obter financiamento devido às exigências de garantias bancárias.

Outro desafio que o economista aponta é a infraestrutura inadequada em zonas turísticas que precisam de melhores redes viárias, fornecimento de energia e telecomunicações. Fala ainda na necessidade de capacitação profissional, pois o sector pode enfrentar déficit de mão-de-obra qualificada, exigindo investimentos em formação técnica.

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