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Necessidade de fertilizantes no país com défice de 90%

Jornal OpaisPor Jornal Opais
24 de Fevereiro, 2018
Em Economia
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Tempo de Leitura: 2 mins de leitura

A quantidade de fertilizantes importados pelo Ministério da Agricultura satisfaz apenas 10% das necessidades reais do país. Por isso, o director nacional da Agricultura defende o reforço da produção interna. Apesar do défice, o agrónomo Fernando Pacheco fala em crescimento.

POR: Miguel Kitari

O sector da agriculturgista um défice de 90% em termos de disponibilidade de fertilizantes. O director nacional da Agricultura, Carlos Betencurt, revelou que “ a quantidade que é importada satisfaz apenas 10% das necessidades”, realçou. “Se quisermos pensar no fomento da agricultura, temos também de pensar nos insumos. Para o presente ano agrícola, temos disponíveis perto de 200 mil toneladas. Por isso é que se diz muitas vezes que os nossos rendimentos são baixos. São efectivamente baixos”, reconheceu. Todavia, o responsável refere que caso o Executivo mantenha o seu desejo de fomentar a agricultura, as necessidades de adubo poderão rondar as milhares de toneladas anualmente.

“Numa perspectiva de futuro, podemos falar da importação de uma quantidade superior a 4 milhões de toneladas. No entanto, importar esta quantidade pode ser oneroso para o país. Temos de pensar em soluções internas com menos custos. Podemos produzir fertilizantes com custos competitivos e acessíveis”, sublinhou. A cifra (mais de 4 milhões de toneladas de fertilizantes), de acordo com Carlos Betencurt, pode exercer grande pressão na balança nacional de importação. Importa lembrar que o sector da Agricultura faz parte das “prioridades” do Executivo no âmbito do processo de diversificação económica em curso. O director nacional da Agricultura prestou a informação à Rádio Nacional de Angola.

O que diz o agrónomo Fenando Pacheco?

Engenheiro agrónomo, Fernando Pacheco considera insuficiente a quantidade de adubos importados, mas ressalva que “ os 10% é muito mais comparativamente à quantidade de fertilizantes que se importava no passado”. Para Fernando Pacheco, quando se aborda essa questão é preciso ter em conta que dados estatísticos divulgados pelo próprio Instituto Nacional de Estático (INE) indicam que o país possui uma área semeada de 4 milhões de hectares.

“Se a nossa agricultura fosse evoluída, devíamos adubar os 4 milhões de hectares para termos uma boa produção. No entanto, os nossos solos são pobres, isso, de acordo com dados de investigação científica que demonstram que os solos são ácidos e arenosos”, afirma. Em função da realidade, Fernando Pacheco defende a realização de investimentos no sentido de se produzir fertilizantes localmente, uma vez que o país tem condições para o efeito. Acrescenta que, deste modo, seriam também criados novos postos de emprego. “Para aumentar a produção é preciso fazer adubação. Em média, precisamos de 500 quilos de adubo por hectar. Isso nos daria dois milhões de toneladas”.

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