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OPaís

Falta de crédito bancário pode deixar negócio da madeira nas mãos de estrangeiros

Patricia Oliveira por Patricia Oliveira
21 de Abril, 2023
Em Economia

Passados mais de 60 dias após a publicação do Decreto que proíbe a exportação de madeira não manufaturada, os madeireiros apelam ao Executivo a facilidade na concessão de crédito bancário para a compra de equipamentos para transformação do produto. Muitos estão a abandonar a actividade por falta de condições e temem que o negócio seja comandado exclusivamente por empresas estrageiras

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O presidente da Associação dos Madeireiros do Cuando Cubango, Miguel Tchiovo, referiu que a classe enfrenta dificuldade na exportação de madeira manufacturada por falta de indústrias deste segmento no país, apelando aos bancos a facilidade na aquisição de crédito. “Como vamos construir indústrias para a manufaturação da madeira se os bancos não estão a conceder credito. É preciso comprar equipamentos e os bancos não apoiam os empresários que querem trabalhar ”, disse.

No seu entender, a medida que proíbe a importação de madeira não manufacturada é salutar, mas não basta implementar, sendo necessário o apoio dos bancos para a aquisição dos equipamentos e máquinas para o processo. Caso não aconteça, o madeireiro teme que a indústria de transformação de madeira tenha como principal promotores empresas estrangeiras.

Só no Cuando Cubango, segundo explicou, a suspensão da actividade de exploração de madeira, decretada pelo Ministério da Agricultura e Florestas, desde 1 de Fevereiro deste ano, gerou prejuízos calculados em mais de 300 milhões de kwanzas aos operadores locais.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Madeireiros no Moxico, Frederico Salvador, defende a mesma opinião que passa pela necessidade de facilidade de créditos bancários, reforçando que muitos estão abandonar a actividade por falta de meios de transformação do madeira. “As empresas não têm capacidade para comprar máquinas e os bancos para conceder financiamentos impõem uma série de condições. E uma delas é ter a concessão que permite a exploração até 25 anos como garantia, que é extremamente difícil”, explicou.

Na sua opinião, o Governo, através dos bancos públicos e impulso aos privados, devem facilitar o crédito de forma Leasing, que é uma forma de negociação em que o cliente só se torna dono do equipamento após concluir todas as prestações de pagamento ao banco credor. Disse, igualmente, que poucas empresas vão permanecer no mercado e a produção de madeira irá reduzir, apesar de não haver proibição para o licenciamento da madeira. Mas, os exportadores devem ter capacidade para transformar consoante as medidas do Executivo, avançou a fonte.

Segundo o empresário, as pessoas continuam a deixar esta actividade e abraçar outros negócios, realçando que no ano passado concorreram cerca de 40 empresas para a exploração e a associação viu, este ano, as solicitações a reduzir para quatro. “Desde o dia 14 de Abril, o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) mandou cancelar a exportação da madeira nos moldes antigos, em que era possível exportar blocos, pranchas e a aguardar novas medidas, que estão a provocar constrangimentos”, disse. Frederico Salvador disse que a falta de condições nas vias do alto Zambeze faz com que a madeira não seja transportada para outras regiões.

Aliado a este problema, o responsável salientou que, apesar do diálogo mantido entre os empresários do ramo com o Ministério da Agricultura e Florestas e a Polícia Nacional (PN), sobre a modalidade de transporte da madeira para as zonas de comercialização, os associados continuam a enfrentar embaraços nos postos de controlos policiais. Com a proibição da exploração do Mussive, desde 2018, pelo Executivo para permitir a sua reflorestação, os madeireiros têm apostado numa outra espécie conhecida por “Kakulakula ou Girassonde”, encontrada na floresta do Alto Zambeze, segundo fez saber Frederico Salvador, destacando a China, Vietname, Dubai e países europeus como principais destinos.

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