O reforço da cooperação bilateral com a Suíça pode conferir a Angola a possibilidade de melhorar o acesso a capital internacional de longo prazo, essencial para financiar projectos de infra-estrutura, energia e agronegócio com horizontes de retorno que ultrapassam os ciclos políticos
A opinião é do economista Evaristo Santiago Kimbundo que considera que, a par disso, a cooperação pode fortalecer o sistema bancário nacional e atrair conhecimento técnico especializado em regulação financeira, supervisão prudencial e gestão de risco.
No seu ponto de vista, estes são domínios em que Angola tem vindo a progredir, uma vez que o Banco Nacional de Angola tem desenvolvido um trabalho consistente no controlo da inflação, na estabilidade cambial e na melhoria da supervisão bancária, mas onde ainda há margem considerável para aprofundamento.
Em declarações ao jornal OPAÍS, fazendo uma análise sobre os benefícios do reforço da cooperação entre os dois países, no quadro da visita de 24 horas que o Vice-Presidente e ministro dos Negócios Estrangeiros da Confederação Suíça, Ignazio Cassis, realizou recentemente no país, o economista realçou que a Suíça não é apenas um centro financeiro, é uma arquitectura de confiança construída ao longo de séculos, sustentada por um sistema bancário sólido, tradição em gestão de patrimónios, rigor regulatório e inovação institucional.
“Existe uma dimensão de credibilidade, por via da qual qualquer acordo ou parceria com uma praça financeira suíça funciona como um sinal de qualidade para outros investidores internacionais que observam Angola com interesse, mas ainda com cautela”, salientou.
Para ser mais preciso, Evaristo Kimbundo revelou que indicadores como as reservas internacionais, a taxa de inflação e a solidez do sector financeiro, acompanhados pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Ministério das Finanças, podem beneficiar directamente de uma cooperação técnica com um parceiro desta envergadura.
Contudo, alertou que o investimento estrangeiro directo não segue automaticamente os acordos diplomáticos, pois, o que atrai capital é a combinação de oportunidade e previsibilidade. “A parceria com a Suíça pode contribuir para reforçar a segunda componente, isto é, sinalizar que Angola está a construir um ambiente de negócios mais transparente e estável, mas o trabalho estrutural cabe-nos a nós”, frisou.
Acrescentou de seguida que “as reformas fiscais e financeiras que o Ministério das Finanças tem implementado nos últimos anos, precisamente para melhorar o ambiente de negócios, são o complemento indispensável a qualquer iniciativa de atracção de Investimento Directo Estrangeiro. Sem esse quadro interno favorável, nenhuma parceria externa produz os efeitos desejados”.
O especialista apontou quatro sectores onde a sinergia com parceiros suíços pode ser mais imediata e produtiva, designadamente, os serviços financeiros e a gestão de activos, o sector da Agro-indústria, o sector das tecnologias de saúde e a indústria farmacêutica e o das energias renováveis.
A mesma opinião sobre os benefícios dessa cooperação é partilhada pelo advogado Domingos Combé que alerta que a Suíça tem seguido ao longo do tempo, uma política que tem atraído um número significativo de empresas multinacionais. “Nesse contexto, o reforço dos laços bilaterais constitui uma clara demonstração de confiança nas potencialidades de Angola, funcionando como um incentivo para que mais empresas suíças invistam no país, para além das que já cá operam”.
No seu ponto de vista, este processo poderá traduzir-se na criação de novos postos de trabalho, no aumento do financiamento de projectos estruturantes, especialmente nos sectores do agronegócio, transportes, telecomunicações e energia, bem como na capacitação técnica de quadros nacionais. Além disso, contribuirá para a afirmação de Angola no comércio internacional e para a sua crescente abertura ao mundo.
De realçar que, em declarações à imprensa, à saída da audiência que lhe foi concedida pelo Chefe de Estado angolano, João Lourenço, o Vice-Presidente e ministro dos Negócios Estrangeiros da Confederação Suíça, Ignazio Cassis, revelou que estiveram no centro do encontro “aspectos ligados à cooperação bilateral e outros de interesse comum”. Acrescentou que a Suíça quer reforçar a cooperação econômica com Angola e aumentar o investimento privado.
A visita de Ignazio Cassis inseriu-se no quadro do reforço das relações bilaterais entre a República de Angola e a Confederação Suíça.








