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Bancos comerciais despediram mais de 4 mil trabalhadores em sete anos

Milton Manacapor Milton Manaca
21 de Junho, 2024
Em Destaque

Um total de 4.248 (quatro mil e duzentos e quarenta e oito) trabalhadores bancários foram mandados para o desemprego nos últimos sete anos, segundo cálculos feitos por este jornal, com base nos dados do mais recente relatório “Banca em Análise 2024”, da Consultora Deloitte

De 2017 a 2023, a banca comercial vem registando redução no número de colaboradores justificados pelos processos de reestruturação em curso em muitas instituições financeiras, com o Banco de Poupança e Crédito (BPC) a liderar a evolução dos desempregos.

Desde 2018 este banco desempregou 1.545 colaboradores, vindo a seguir o Banco Económico, que teve um corte na sua força de trabalho de 215 trabalhadores.

O gráfico dos bancos que mais desempregaram neste período mostra que o Banco de Comércio e Indústria (BCI) diminuiu 48 profissionais e o Keve vem a seguir com 44 trabalhadores. Se estendermos o olhar para os últimos 11 anos (desde 2013),

2023 continua a ser o pior ano no que diz respeito aos desempregos. Em 2013, o total de trabalhadores foi de 18.139, tendo atingido o pico em 2018 com 22.253.

Daí, só foi regredindo até chegar aos 18.065 em 2023. Outra justificação apresentada pelos bancos, para além dos processos de reestruturação, está relacionada à transformação digital e ao encerramento de balcões. Aliás, no período em análise, registou-se o encerramento de 676 balcões em todo o país.

Na evolução do número de balcões, os dados mostram que foi no ano de 2017 que se atingiu o pico, com 2.102 balcões.

De lá para cá, só foi registando diminuições até chegar aos 1.426 balcões em 2023. Entretanto, neste período, os bancos que reforçaram o seu quadro de pessoal foram o Millennium Atlântico, que lidera a lista com 44 colaboradores, o BIC com 31, o Standard Bank com 30, o BNI, com 24, BIR, com 17, BCS, com 14, e o ACCESS, com 11.

Agentes bancários

Para contrapor o défice de balcões no país e como parte da estratégia para o alargamento da rede bancária, aumentar a inclusão financeira, captar clientes e disponibilizar serviços bancários primários aos seus clientes, os bancos estão a aumentar a aposta nos agentes bancários.

A figura de Agente Bancário foi introduzida através do Aviso n.º 4/2022, de 3 de Fevereiro, e tem como principal objectivo representar um banco e ser uma alternativa viável para atender clientes bancários localizados em zonas remotas (sem acesso ou com acesso limitado a serviços bancários), bem como em zonas urbanas.

Em 2023, foi registado um crescimento de 81% no número de agentes bancários em território nacional, passando de 366 agentes em 2022 para 665 Agentes Bancários em 2023.

BIC vai despedir 400 trabalhadores

O Banco Internacional de Comércio (BIC) anunciou, esta semana, que prevê encerrar, nos próximos tempos, cerca de 40 dos 230 balcões instalados nas 18 províncias do país, o que poderá provocar o despedimento de 300 ou 400 trabalhadores.

O presidente do Conselho Executivo do BIC, Hugo Teles, explicou à imprensa que a medida se deve à actual situação macroeconómica angolana, com realce para a contínua depreciação da moeda nacional, Kwanza, e o fraco poder de compra das famílias.

Segundo Hugo Teles, a instituição “não está a passar pela sua melhor fase, em termos de resultados financeiros”, tendo em conta a actual conjuntura económica e financeira do país.

Acrescentou que, para além dos funcionários, cada balcão conta com uma equipa de três seguranças e outros colaboradores.

Hugo Teles clarificou que o banco precisa de divisas para trabalhar, mas, às vezes, tem de emprestar às outras instituições, facto que complica cada vez mais o funcionamento do banco.

 

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