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OPAÍS

Angola exporta mais de 50 mil baterias por mês

Milton Manacapor Milton Manaca
13 de Janeiro, 2025
Em Economia
Angola exporta mais de 50 mil baterias por mês

Namíbia, Zâmbia e principalmente a República democrática do Congo (RDC) são os destinos do material produzido em Angola por via da empresa chinesa guangde international group, que está no mercado angolano há mais de 25 anos

A fábrica de baterias começou a produzir em regime experimental no dia 12 de Setembro de 2019, com uma produção diária de mil 350 baterias para atender o mercado nacional, mas rapidamente começou a produzir também para o mercado internacional, essencialmente para exportar para a região da SADC, para gerar moeda estrangeira para o país.

A fábrica de baterias, a única no país, tem a previsão de aumentar a exportação para o mercado internacional, como disse ao OPAÍS Katondo Viage, um dos responsáveis da empresa, mas esta depende da procura ou da solicitação dos mercados.

A unidade, com cinco linhas de produção, tem capacidade para atender todo o país, mas, para evitar o excedente no mercado, tendo em conta que Angola ainda importa baterias, a Guangde não coloca em funcionamento todas as suas linhas de produção.

A Guangde tem capacidade de produzir diariamente sete mil baterias, mas o facto de Angola ainda importar este material indispensável para as viaturas impede que todas as linhas de produção sejam colocadas em funcionamento.

Aliás, Katondo refere que, actualmente, Angola consta da lista dos países africanos que mais produzem baterias no continente africano, rivalizando, por exemplo, com a Nigéria e a África do Sul. “Mas, em termos de quantidade de produção, nós estamos acima desses dois países”, reforça o responsável.

Mais de dois mil funcionários A Guangde International Group tem cerca de 18 fábricas instaladas num Pólo Industrial sito no Sequele, actualmente pertencente à província de Icolo e Bengo, numa área com espaço equivalente a 80 hectares. Entre as unidades industriais de que dispõe, citam-se as fábricas de chapa, fábrica de colchão, fábrica de manilha, fábrica de esponja, fábrica de mobiliário, fábrica de contraplacado e a fábrica de esferovite que, entre outras valências, produz caixas térmicas.

A Guangde tem ainda uma fábrica de sofá cabedal, fábrica de caixa de papel, fábrica de blocos, uma fazenda de vegetais, hortaliças, galinhas e porcos, para além da já citada fábrica de baterias de to- dos os modelos e tamanhos. Nas suas mais diversas unidades fabris, a empresa emprega, no total, 2306 funcionários, mais de 90% angolanos. Só a fábrica de baterias emprega mais de 400 nacionais.

Este grupo empresarial é o do- no dos shoppings Vida Gude, que vende diversos produtos, incluindo mobílias que eles próprios fabricam em Angola, na fábrica de mobília. O shopping emprega cerca de 200 nacionais e boa parte deles inscritos na segurança social.

Importa referir que, na sexta- feira, a Embaixada Chinesa e as empresas Guangde Internacional Group e a China National Chemical Engineering Corporation (CNCEC), uma das líderes em projectos de engenharia no mundo, responsável pela construção da Refinaria do Lobito, assumiram o compromisso de continuar a investir em Angola, gerando emprego e desenvolvimento económico.

Investidos mais de dois mil milhões de dólares

Nos mais de 25 anos de existência em Angola, o chinês guangde international group investiu mais de dois mil milhões de dólares no sector industrial, segundo o presidente do Conselho de Administração desta empresa, xu Ning. o gestor do grupo empresarial avançou que, anualmente, a em- presa tem uma facturação de 100 milhões de dólares, resultante do investimento feito no sector industrial.

referiu que, desde 1999, ano em que a empresa entrou para o mercado angolano, xu Ning disse que esses empreendimentos têm clientes e revendedores em quase todas as províncias do país. Já o director-geral da China National Chemical engineering, dong Bin, disse que a sua empresa está há dois anos a trabalhar na construção da fábrica de fertilizantes do Soyo e na refinaria do lobito, província de Benguela.

Assegurou que a primeira fase já atingiu 46 por cento de execução física, com a construção de dormitórios, escritórios e tanques para reservar o petróleo bruto. relativamente à fase seguinte do projecto da refinaria, o responsável realçou que a Sonangol e as instituições da China estão a conversar sobre o financiamento do empreendimento.

Fábrica de água entra em funcionamento em breve

Ao OPAÍS, Katondo Viage disse que está para breve a entrada em funcionamento de mais uma fábrica que se vai juntar às demais, a fábrica de processamento de água Weza, que está na última fase de testagem para entrar no mercado nacional.

A unidade de produção de água vai empregar 38 funcionários já recrutados que têm estado a trabalhar no processamento das amostras das primeiras garrafas do líquido. o responsável garante que a visão da empresa é continuar a expandir-se no mercado nacional com outros produtos e marcas, acrescentando que depois da água a guangde tem já em vista investir no segmento dos lubrificantes.

“Na verdade, nós não paramos de investir e, se o governo permitir, estamos com perspectivas de montar uma fábrica de lubrificantes”, disse Katondo Viage. o responsável queixa-se, entretanto, de alguns aspectos burocráticos que têm dificultado o normal funcionamento dos investidores, apesar de ter reconhecido os avanços feitos nos últimos anos da actual gestão do país.

Cita, por exemplo, entraves na concessão de direitos fundiários, fiscalização demasiada de vários organismos do governo, o que para ele desincentiva o investidor. Aliás, em 2020, o Centro de estudos e investigação Científica da universidade Católica de Angola (CeiC) apresentou igualmente um relatório sobre o funcionamento das empresas chinesas no país em que apontava igualmente o excesso de burocracia entre os problemas.

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